Agonistas do receptor de GLP-1 são associados a risco de queda de cabelo e a benefícios de sobrevida em metástases cerebrais

Estudos recentes avaliaram o perfil de segurança dos agonistas do receptor de GLP-1, encontrando aumento do risco de queda de cabelo não cicatricial, mas melhora da sobrevida em pacientes com metástases cerebrais e diabetes tipo 2. As análises também não identificaram associação entre terapia com GLP-1 e incidência de câncer de tireoide em humanos, apesar de preocupações baseadas em modelos animais.

O risco de queda de cabelo não cicatricial é aumentado em associação ao uso de agonistas do receptor do peptídeo semelhante ao glucagon-1 (GLP-1), de acordo com um estudo publicado online em 9 de fevereiro no Journal of the American Academy of Dermatology. Enquanto isso, uma pesquisa separada sugere que o uso de agonistas do receptor de GLP-1 foi associado a uma redução significativa da mortalidade por todas as causas entre pacientes com câncer com metástases cerebrais e diabetes tipo 2.

Os pesquisadores usaram a TriNetX US Collaborative Network para examinar a incidência e o risco de queda de cabelo não cicatricial em adultos de 18 a 89 anos e adolescentes de 12 a 17 anos tratados com agonistas do receptor de GLP-1 versus controles pareados de 2014 a 2024. Foram incluídos dados de 547.993 usuários adultos pareados de agonistas do receptor de GLP-1 e controles.

Tanto entre usuários de agonistas do receptor de GLP-1 quanto entre controles, houve aumento da incidência de queda de cabelo não cicatricial, eflúvio telógeno, alopecia androgenética e alopecia areata entre 2014 e 2024. As curvas de incidência para queda de cabelo não cicatricial global começaram a divergir por volta de 2019, com taxas consistentemente mais altas para usuários de agonistas do receptor de GLP-1 entre 2023 e 2024. Para eflúvio telógeno e alopecia androgenética, as taxas permaneceram semelhantes até 2021 a 2022, seguidas por um aumento mais acentuado entre usuários de agonistas do receptor de GLP-1.

Os agonistas do receptor de GLP-1 foram associados a um risco significativamente maior de alopecia androgenética e queda de cabelo não cicatricial aos 6 meses, com odds ratios ajustados de 1,62 e 1,26, respectivamente. Os riscos aumentaram para eflúvio telógeno, alopecia androgenética e queda de cabelo não cicatricial aos 12 meses, com odds ratios ajustados de 1,76, 1,64 e 1,40, respectivamente. A conscientização sobre o risco de alopecia em pacientes em uso de agonistas do receptor de GLP-1 é crucial para detecção precoce, orientação antecipatória e cuidado multidisciplinar.

No estudo de coorte de metástases cerebrais, os achados sugerem que o uso de agonistas do receptor do peptídeo semelhante ao glucagon-1 (GLP-1) foi associado a uma redução significativa da mortalidade por todas as causas entre pacientes com câncer com metástases cerebrais e diabetes tipo 2, com associação geralmente consistente entre subgrupos. Esses resultados se somam às evidências existentes de que a ativação do receptor de GLP-1 modula vias relevantes para a saúde neuro-oncológica, incluindo atenuação da neuroinflamação, preservação da integridade da barreira hematoencefálica e redução do estresse oxidativo e da disfunção mitocondrial.

Quanto às preocupações com câncer de tireoide, a rápida adoção clínica dos agonistas do receptor de GLP-1 para o manejo do diabetes tipo 2 e da obesidade foi acompanhada por dúvidas persistentes quanto à sua segurança oncológica. Embora a rotulagem da FDA inclua um aviso em caixa (boxed warning) para carcinoma medular da tireoide, os clínicos frequentemente enfrentam desafios para conciliar dados de modelos animais com o cuidado de pacientes no mundo real. Pacientes perguntavam se era seguro usar sua terapia com GLP-1 em caso de doença nodular e histórico de câncer de tireoide ou preocupação com câncer de tireoide.

Um rastreamento de mulheres totalmente assintomáticas, sem nódulos tireoidianos conhecidos ou condições tireoidianas, para câncer de tireoide mostrou que 2,4% das mulheres assintomáticas sem doença conhecida têm câncer de tireoide. A incidência de câncer de tireoide entre mulheres de 25 a 50 anos é ainda maior do que a incidência de câncer de mama, que se acreditava ser a neoplasia maligna nº 1 nessa faixa etária.

A preocupação com câncer medular da tireoide só foi demonstrada em animais, e mostrou-se afetar apenas algo chamado células C, que produzem o câncer medular da tireoide. Nenhuma outra célula ou tipo celular da glândula tireoide é motivo de preocupação. Mesmo essa evidência nunca foi demonstrada em humanos, o que significa que os estudos que avaliaram a incidência de câncer de tireoide e de câncer medular da tireoide em humanos com terapia com GLP-1 não mostraram qualquer efeito. Por causa dos estudos em animais, é contraindicado em pessoas com câncer medular da tireoide ou histórico de síndrome de neoplasia endócrina múltipla.

Não há relação entre a terapia com GLP-1 e a incidência de câncer de tireoide ou a incidência de câncer medular da tireoide. Não houve estudos em humanos; portanto, não há qualquer relevância. Qualquer pessoa com câncer medular da tireoide deve ser rastreada quanto a doença hereditária, o que é prática padrão.

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References

  1. Assessing Thyroid Cancer Risk With GLP-1 Therapy - CancerNetwork · cancernetwork.com
  2. GLP-1 receptor agonist use and survival among patients with type 2 diabetes and brain metastases · eurekalert.org
  3. Risk for Nonscarring Hair Loss Increased in Association With GLP-1 Receptor Agonist Use · empr.com