ASCO 2026 e novos estudos destacam avanços na imunoterapia do câncer

Dados da ASCO 2026 mostram que o CBM588 potencializa a imunoterapia no câncer de rim e que uma combinação biespecífica melhora o linfoma. A infusão matinal de ICI, a revigoração das células T com mezigdomide e a manutenção com dostarlimab também avançam a imunoterapia do câncer.

Pesquisadores do City of Hope apresentarão 49 resumos abrangendo tumores sólidos e neoplasias do sangue na Reunião Anual da ASCO de 2026, em Chicago, de 29 de maio a 2 de junho. Entre os estudos em destaque, uma análise combinada de dois ensaios randomizados de fase 1 mostrou que a adição de CBM588, um bioterapêutico vivo projetado para modular o microbioma intestinal, a esquemas padrão de inibidores de checkpoint imunológico melhorou os desfechos em pacientes sem tratamento prévio com carcinoma metastático de células renais. No conjunto combinado de dados, os pacientes que receberam CBM588 com imunoterapia alcançaram uma taxa de resposta objetiva de 66,7% versus 20% com a terapia padrão isolada, e a sobrevida livre de progressão mediana melhorou para 32,1 meses versus 3,7 meses. Usando a medida metagenômica TOPOSCORE, os pesquisadores descobriram que os pacientes com um microbioma mais desregulado obtiveram o maior benefício, com a sobrevida livre de progressão aumentando de 2,8 meses para 24,9 meses. Um ensaio randomizado de fase 3 está em andamento para avaliar melhor essa estratégia.

Dados atualizados do estudo de fase 3 SUNMO, também apresentados na ASCO, mostraram que a combinação de mosunetuzumab, um anticorpo biespecífico, e polatuzumab vedotin, um conjugado anticorpo-fármaco, melhora os desfechos para pacientes com linfoma de grandes células B recidivado ou refratário que não são elegíveis para transplante autólogo de células-tronco. Com um seguimento mediano de mais de dois anos, a combinação demonstrou uma taxa de resposta objetiva de 70,3% em comparação com 40,0% para a quimioterapia padrão com rituximab, gemcitabine e oxaliplatin, juntamente com uma redução significativa no risco de progressão da doença. Entre os pacientes tratados em segunda linha, a combinação produziu taxas de resposta mais altas, remissões mais profundas e maior duração de resposta.

Um estudo retrospectivo com 223 pacientes com carcinoma metastático de células renais claras, apresentado no Simpósio de Cânceres Geniturinários de 2026, mostrou que o horário do primeiro ciclo de inibidor de checkpoint imunológico teve forte impacto na sobrevida. Pacientes tratados antes das 11h apresentaram sobrevida específica para câncer mediana de 71 meses versus 34 meses para os tratados mais tarde, com um aumento de 12% no risco de mortalidade específica por câncer para cada aumento de 1 hora no horário do dia. A análise multivariada confirmou que o horário do primeiro ciclo foi um preditor independente de sobrevida após ajuste para idade, risco IMDC, tipo de ICI e sítios metastáticos.

Dois estudos publicados na Blood por pesquisadores da Icahn School of Medicine at Mount Sinai, Bristol Myers Squibb e da Universidade de Oxford descobriram que mezigdomide, um modulador da ligase E3 do cereblon, pode revigorar células T exaustas no mieloma múltiplo. Análises de amostras de medula óssea de pacientes com doença recidivada mostraram que o tratamento com mezigdomide reduziu significativamente as populações de células T disfuncionais que expressam marcadores de exaustão, incluindo PD-1 e TIGIT, ao mesmo tempo que potencializou a atividade citotóxica de células CAR-T e de engajadores de células T biespecíficos em modelos pré-clínicos. A droga age ao direcionar e degradar os fatores de transcrição IKZF1 (Ikaros) e IKZF3 (Aiolos), que foram identificados como reguladores centrais da disfunção de células T. Ensaios clínicos de fase inicial avaliando mezigdomide em combinação com terapias baseadas em células T estão em andamento.

No ensaio de fase II ATOMICC, a manutenção com dostarlimab após quimiorradioterapia definitiva no câncer do colo do útero localmente avançado de alto risco mostrou um sinal encorajador, com sobrevida livre de progressão em 3 anos de 77% versus 67% (HR 0,64) em comparação com observação. Nenhum benefício de sobrevida global foi observado até o momento, e a toxicidade foi gerenciável. Os investigadores notaram que os resultados ainda não mudam a prática clínica, mas apoiam uma maior exploração da imunoterapia de manutenção após quimiorradioterapia no câncer do colo do útero.

Um estudo retrospectivo unicêntrico de 32 pacientes com carcinoma metastático de células renais tratados com imunoterapia, publicado na Research and Reports in Urology, descobriu que a nefrectomia citorredutora (realizada em 78% dos pacientes) foi associada a maior sobrevida livre de progressão (9 vs 3 meses; HR 3,72) e sobrevida global (21 vs 3 meses; HR 4,03). Uma razão neutrófilo/linfócito pós-tratamento abaixo de 2,44 previu melhor sobrevida livre de progressão (mediana de 17 vs 7 meses), e o escore Meet-URO mostrou valor prognóstico superior para sobrevida global em comparação com o escore IMDC. Os autores classificaram os achados como exploratórios e geradores de hipóteses.

Em um painel de discussão sobre carcinoma hepatocelular avançado, especialistas avaliaram a sobrevida em longo prazo e a qualidade de vida com atezolizumab mais bevacizumab. Eles observaram que o estudo IMbrave150 não tem os dados maduros de sobrevida de referência agora disponíveis para tremelimumab mais durvalumab, mas que as taxas de resposta robustas com atezolizumab mais bevacizumab tornam a opção atraente para pacientes com carga tumoral volumosa que precisam de controle rápido da doença. Os participantes do painel enfatizaram que a maioria dos pacientes é tratada com intenção paliativa, tornando a qualidade de vida e a tolerabilidade considerações centrais, e citaram a conveniência da dosagem de durvalumab a cada quatro semanas e a tranquilidade fornecida pelos dados de sobrevida em 5 anos e estratificados por ALBI.

Related Entities

Related Articles

References

  1. Weighing Long-Term Survival and Quality of Life With Atezolizumab Plus Bevacizumab · cancernetwork.com
  2. City of Hope Researchers Present Advances in Targeted Therapies, Microbiome Science ... · aol.com
  3. Amol Akhade: Phase II ATOMICC Shows Encouraging Results With Maintenance Immunotherapy · oncodaily.com
  4. Reversing T Cell Exhaustion Improves Effectiveness of Myeloma Immunotherapies · newswise.com
  5. Real-World Predictors of Response to Immunotherapy in Metastatic Renal Cell Carcinoma · dovepress.com
  6. Early-day immunotherapy shows major survival advantage in metastatic renal cancer · firstwordpharma.com
  7. Targeted Immunotherapy Swap Delivers Deep Remissions in AYA ALL · clinicaloncology.com