Proteína de estresse LCN2 ajuda tumores de pulmão e pâncreas a escapar do ataque imune
Pesquisadores da NYU Langone Health identificaram que a lipocalina 2 (LCN2), liberada por células tumorais sob estresse, ajuda tumores de pulmão e pâncreas a escapar do sistema imunológico ao reprogramar macrófagos e bloquear a infiltração de células T. Em modelos murinos, um anticorpo que bloqueia a LCN2 aumentou a presença de células T no tumor, reduziu o volume tumoral e potencializou os efeitos de imunoterapias já existentes.
Pesquisadores da NYU Langone Health descobriram que uma proteína chamada lipocalina 2 (LCN2) desempenha um papel fundamental em ajudar as células cancerígenas a escapar do sistema imunológico, particularmente nos cânceres de pulmão e de pâncreas. O estudo, publicado na Nature em 18 de fevereiro de 2026, revela que células cancerígenas sob estresse liberam LCN2, que manipula as células imunológicas ao redor e impede que elas ataquem o tumor.
O estudo envolveu uma via de sobrevivência celular chamada resposta integrada ao estresse (ISR, integrated stress response), que as células usam para suportar condições estressantes, como a falta de nutrientes. Células cancerígenas, com seu crescimento anormal e agressivo, enfrentam uma ameaça contínua de fome, estão sempre sob estresse e mantêm a ISR constantemente ativada.
A ISR nas células cancerígenas desencadeia a produção de uma proteína chamada Activating Transcription Factor 4 (ATF4), que por sua vez ativa a ação de muitos genes que ajudam as células cancerígenas a sobreviver. O novo trabalho mostra que o ATF4 também instrui a célula a liberar LCN2 para proteger o tumor do sistema imunológico.
A equipe de pesquisa constatou que a LCN2 transmite a mensagem do ATF4 para “comutar” os macrófagos, um tipo de célula imunológica abundante nos tumores, para um modo "imunossupressor", o que impede que células T que matam câncer entrem no tumor. Enquanto o ATF4 atua dentro das células cancerígenas, a LCN2 é liberada para fora, onde pode ser mais facilmente alvo de medicamentos.
Quando a equipe de pesquisa modificou geneticamente camundongos para que tanto desenvolvessem câncer quanto não tivessem LCN2, o crescimento tumoral desacelerou. O fato de esse efeito ocorrer apenas em camundongos com sistemas imunológicos saudáveis sugeriu que um papel importante da LCN2 é bloquear o ataque imunológico aos tumores.
A equipe examinou amostras tumorais de mais de 100 pacientes com câncer de pulmão e 30 pacientes com câncer de pâncreas. Níveis elevados de LCN2 foram associados a uma sobrevida mediana de 52 meses, em comparação com 79 meses para pacientes com níveis baixos.
Os pesquisadores desenvolveram uma terapia com anticorpo, uma versão produzida em laboratório de uma proteína do sistema imunológico, para se ligar e bloquear a LCN2, impedindo-a de manipular os macrófagos, o que permitiu que as células T antes “deixadas de lado” voltassem a entrar nos tumores. Quando tratados com um anticorpo que bloqueava a LCN2, os tumores em camundongos ficaram inundados de células T e encolheram. Combinar o anticorpo anti-LCN2 com um medicamento de imunoterapia já existente funcionou ainda melhor, prolongando a sobrevida em camundongos com câncer de pulmão agressivo.
Os pesquisadores querem investigar se a LCN2 desempenha um papel semelhante em outros tipos de câncer resistentes à imunoterapia e explorar a combinação de terapias direcionadas à LCN2 com outras abordagens de imunoterapia. A descoberta pode levar ao desenvolvimento de novos esquemas de imunoterapia personalizada e de fármacos direcionados à LCN2, potencialmente melhorando os desfechos para pacientes com câncer de pulmão, de pâncreas e outros cânceres de difícil tratamento.