Debate sobre publicidade de medicamentos ao consumidor volta à tona sob escrutínio de políticas

A controvérsia sobre a publicidade direta ao consumidor de medicamentos sob prescrição voltou ao centro do debate político nos Estados Unidos, com gastos que alcançaram US$ 9 bilhões em 2024. A discussão gira em torno de potenciais benefícios informativos versus o risco de incentivar o uso de fármacos novos e caros sem superioridade terapêutica significativa.

A controvérsia sobre se as farmacêuticas devem poder comercializar medicamentos sob prescrição diretamente para potenciais pacientes, que vem fervilhando há décadas, passou a receber atenção renovada tanto do governo Trump quanto de legisladores. O gasto total com publicidade direta ao consumidor de medicamentos prescritos superou US$ 9 bilhões em 2024, segundo a MediaRadar, que monitora anúncios.

A Novo Nordisk, que fabrica Ozempic, gastou cerca de US$ 180 milhões em publicidade direta ao consumidor em 2022 e US$ 189 milhões em 2023, de acordo com a MediaRadar. No ano passado, o montante — incluindo comerciais de rádio e TV, outdoors e anúncios impressos e digitais — chegou a uma estimativa de US$ 201 milhões. A Novo Nordisk se recusou a comentar esses números.

O debate sobre anúncios diretos ao consumidor remonta a 1997, quando a FDA afrouxou as restrições e permitiu anúncios de medicamentos sob prescrição na televisão, desde que incluíssem um resumo acelerado dos principais riscos e fornecessem uma fonte para mais informações. A introdução do Medicare Part D, em 2006, trouxe “uma enorme expansão na cobertura de medicamentos prescritos e, como resultado, um grande aumento na publicidade farmacêutica”. Um estudo do qual participaram autores em 2023 constatou que anúncios de medicamentos eram muito mais prevalentes em áreas com alta proporção de moradores com 65 anos ou mais.

A questão tem relevância particular para pessoas mais velhas, que lidam com mais problemas de saúde do que os jovens e têm maior probabilidade de usar medicamentos prescritos. “Parte do envelhecer é desenvolver condições de saúde e se tornar um alvo da publicidade de medicamentos”, disse um pesquisador que estuda comunicação em saúde e tomada de decisão no Dartmouth Institute.

Pesquisas da indústria e acadêmicas mostraram que os anúncios influenciam as taxas de prescrição. Pacientes tendem mais a marcar consultas e solicitar medicamentos, seja pelo nome da marca ou por categoria, e os médicos muitas vezes atendem ao pedido. Podem ocorrer múltiplas consultas de retorno.

Apenas a Nova Zelândia e, apesar da oposição de décadas da American Medical Association, os Estados Unidos permitem publicidade direta ao consumidor de medicamentos sob prescrição.

Defensores da saúde pública argumentam que esses anúncios incentivam o uso e o uso excessivo de novos medicamentos caros, mesmo quando fármacos existentes e mais baratos funcionam com a mesma eficácia. As farmacêuticas não se dão ao trabalho de anunciar quando as patentes expiram e os genéricos passam a estar disponíveis.

Em um estudo de 2023 na JAMA Network Open, pesquisadores analisaram o “valor terapêutico” dos medicamentos mais anunciados na televisão, com base nas avaliações de organizações independentes europeias e canadenses que negociam preços para medicamentos aprovados. Quase três quartos dos medicamentos mais anunciados não tiveram desempenho significativamente melhor do que os mais antigos, concluiu a análise.

“Muitas vezes, medicamentos realmente bons se vendem sozinhos”, disse o autor sênior do estudo e diretor do Program on Regulation, Therapeutics, and Law da Harvard University. “Medicamentos sem valor terapêutico adicional precisam ser empurrados, e é isso que a publicidade direta ao consumidor faz”, afirmou.

Opositores de uma proibição desse tipo de publicidade dizem que ela beneficia os consumidores. “Ela fornece informação e educação aos pacientes, os conscientiza sobre tratamentos disponíveis e os leva a buscar atendimento”, disse um economista da saúde da Wharton School da University of Pennsylvania. Isso é “especialmente importante para condições subdiagnosticadas”, como depressão.

Além disso, em um comentário recente no JAMA Health Forum, anúncios diretos ao consumidor levam ao aumento do uso não apenas de medicamentos de marca, mas também de substitutos não anunciados, incluindo genéricos.

O governo Trump entrou nesse debate em setembro passado, com um memorando presidencial pedindo o retorno à política anterior a 1997, que restringia severamente a publicidade direta ao consumidor de medicamentos.

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References

  1. Should drug companies be advertising to consumers? - News-Medical.Net · news-medical.net
  2. Should Drug Companies Be Advertising to Consumers? - KFF Health News · kffhealthnews.org
  3. CT's new Medicaid prior authorization rule has advocates worried - The Bristol Edition · bristoledition.org