Altos custos de medicamentos GLP-1 pressionam orçamentos e impulsionam aumento de prêmios de seguro
Medicamentos GLP-1 para perda de peso e diabetes, embora eficazes, estão pressionando orçamentos e elevando os prêmios de seguro saúde, respondendo por cerca de 30% dos aumentos neste ano. Defensores do consumidor pedem autorização para genéricos, enquanto acordos recentes com o governo Trump buscam ampliar o acesso via Medicare e Medicaid com coparticipação de US$ 50 ao mês.
A popularidade dos caros medicamentos GLP-1 tem afetado os orçamentos dos usuários e está elevando os custos dos planos de saúde de forma generalizada. Cerca de 30% dos aumentos nos prêmios de seguro saúde neste ano são atribuídos aos custos dos medicamentos GLP-1, segundo um pesquisador de políticas de saúde da Harvard Medical School.
Nos EUA, cerca de 12% dos adultos dizem que já usam medicamentos GLP-1. No mundo, mais de 25% dos adultos poderiam se beneficiar do tratamento para perda de peso, de acordo com uma nova pesquisa do Mass General Brigham.
Em novembro, o governo Trump anunciou novos acordos para reduzir o custo desses medicamentos, notoriamente caros, para uma coparticipação mensal de US$ 50 para pessoas que dependem do Medicare como seguro de saúde. Mas os custos variam amplamente, levando alguns estados a encerrar a cobertura ou a restringir quem se qualifica para recebê-los em planos do Medicaid. A plataforma TrumpRX, lançada recentemente, oferece alguns descontos em GLP-1 voltados a quem não tem seguro ou pagaria mais pela própria cobertura.
Um grupo de defesa do consumidor entrou com uma petição junto ao governo Trump para que seja usada uma lei federal a fim de autorizar concorrentes genéricos para medicamentos GLP-1 no tratamento da obesidade e do diabetes, argumentando que os preços são "injustificadamente altos" para muitos americanos. A Public Citizen sustentou que os gastos federais e estaduais com esses medicamentos, vendidos por Novo Nordisk e Eli Lilly, têm pressionado os orçamentos. O grupo afirmou que as concessões obtidas em acordos recentes com o governo Trump para tornar os medicamentos mais disponíveis via Medicare e Medicaid são "insuficientes" para ampliar o acesso.
Embora a expansão proposta da cobertura para os programas de saúde e a coparticipação de US$ 50 por mês para beneficiários do Medicare possam melhorar o acesso para alguns, outros podem não se beneficiar. Isso porque alguns planos do Medicare e do Medicaid podem optar por não participar se os preços dos medicamentos levantarem preocupações orçamentárias devido ao aumento do uso, afirmou a petição.
Os medicamentos são caros em parte porque são eficazes, e os pacientes valorizam o que eles oferecem. Mas também estão protegidos por patentes, de modo que fabricantes de genéricos não podem produzir esses compostos por mais alguns anos. As empresas que fabricam esses produtos são, na prática, monopolistas. Há alguma concorrência, porque existe um punhado dessas moléculas que pode ser usado para perda de peso. E o preço caiu bastante, inclusive nos últimos anos. Um comprimido de Wegovy aprovado recentemente custará US$ 150 por mês para pacientes sem seguro.
Quanto um paciente acaba pagando por esses medicamentos depende do tipo de cobertura que possui. O Medicaid tem custos de desembolso direto muito baixos e cobre praticamente todos os medicamentos, mas apenas alguns estados cobrem medicamentos antiobesidade. Mesmo pacientes em um desses estados enfrentam restrições substanciais de acesso. Um paciente do Medicaid precisaria ter acesso a um médico que possa prescrever e passar por obstáculos administrativos, como autorização prévia (prior authorization). O Medicare Part D, que é a parte que cobre medicamentos prescritos, não cobre medicamentos que tratam a obesidade, embora isso possa estar mudando sob os acordos recentes do governo Trump com os fabricantes.
Planos patrocinados por empregadores tendem a ser mais generosos em termos de cobertura, mas também exigem maior compartilhamento de custos e, novamente, obstáculos administrativos como autorização prévia (prior authorization). Pagadores totalmente do próprio bolso podem acessar esses medicamentos por meio de serviços de telemedicina (telehealth) voltados diretamente ao consumidor que têm surgido online, os quais oferecem prescrições em torno de US$ 100 ou US$ 200 por mês atualmente.
A situação é praticamente sem precedentes, especialmente ao se falar de um em cada quatro adultos ser elegível para esses medicamentos sob os critérios mais amplos. A única comparação são as estatinas, comumente prescritas para reduzir o colesterol. Uma proporção semelhante de adultos é elegível para esses medicamentos, mas existem genéricos muito mais baratos disponíveis e, quando eles surgiram, não eram nem de longe tão amplamente prescritos.
Os medicamentos são fortemente racionados, e isso é parte do motivo pelo qual o canal totalmente pago do próprio bolso, direto ao consumidor, é tão popular: porque muitos pacientes não conseguem obter reembolso do medicamento pelo seu seguro. Da perspectiva das seguradoras, a solução é clara: aumentar o custo da cobertura — ou, ao menos, o custo dos planos de seguro que cobrem esses medicamentos.