Imunoterapia, Terapia-Alvo e Vacinas de mRNA Estão Redefinindo o Tratamento do Câncer
O tratamento do câncer está sendo transformado pela terapia-alvo, imunoterapia, medicina personalizada e pelas emergentes vacinas universais contra o câncer baseadas em mRNA. Os avanços em imunoterápicos e terapias celulares estão melhorando as taxas de sobrevivência, enquanto uma vacina de mRNA "pronta para uso" da Universidade da Flórida já está em testes em humanos.
O tratamento do câncer passou por uma transformação radical na última década, indo além de métodos tradicionais como a quimioterapia para abordagens mais precisas e personalizadas, incluindo terapia-alvo, imunoterapia e as emergentes vacinas contra o câncer baseadas em mRNA.
A terapia-alvo ataca mutações genéticas específicas que alimentam o crescimento do câncer, ao contrário da quimioterapia, que ataca todas as células em rápida divisão. Essas mutações só foram compreendidas nos últimos anos graças aos avanços na pesquisa genética. "Podemos atingir precisamente essas mutações e impedir o crescimento do câncer — em vez de administrar quimioterapia, que basicamente ataca todas as células do corpo e produz mais efeitos colaterais que deixam os pacientes doentes", explicou um oncologista da McLeod. Essas mutações não puderam ser identificadas e alvo de tratamento até os últimos cinco a dez anos.
A imunoterapia capacita o próprio sistema imunológico do paciente a reconhecer e destruir as células cancerígenas. Ela tem sido descrita como revolucionária em cânceres como o de pulmão e o de mama, oferecendo respostas positivas mesmo quando o câncer se espalhou para outras partes do corpo, com potencial para alcançar remissão por um longo período. Embora possa haver efeitos colaterais — já que o sistema imunológico pode atacar células saudáveis em casos raros — estes são geralmente controláveis.
O maior avanço no tratamento do câncer nos últimos anos tem sido as melhorias em imunoterápicos avançados e terapias celulares, juntamente com os conjugados anticorpo-fármaco. Essas abordagens transformaram a forma como os cânceres são tratados, mesmo em estágios avançados, resultando em maior sobrevida, redução da toxicidade e diminuição das taxas de recidiva. A imunoterapia está agora avançando para estágios iniciais de cânceres, incluindo cânceres de esôfago e gástrico potencialmente curáveis, para reduzir as taxas de recidiva e melhorar a sobrevida.
Por trás de cada avanço no tratamento, há anos de pesquisa. O campo está evoluindo rapidamente, com três a quatro novas aprovações de medicamentos para vários tipos de câncer a cada mês. A pesquisa não apenas leva a novas terapias, mas também ajuda a personalizar os tratamentos com base nas características únicas de cada câncer.
A oncologia personalizada garante que o tratamento seja especificamente adaptado ao paciente com base na biologia de sua doença, patologia e assinaturas genômicas, proporcionando um cuidado mais preciso do que uma abordagem única para todos.
Um desenvolvimento inovador da Universidade da Flórida envolve uma vacina universal contra o câncer baseada em mRNA, "pronta para uso", que pode funcionar em múltiplos tipos de câncer e já está sendo testada em humanos. Publicada na Nature Biomedical Engineering (Sayour et al., 2025), essa abordagem não requer sequenciamento tumoral individualizado no início. Em vez de treinar o sistema imunológico para reconhecer uma proteína cancerígena específica, a vacina ativa os interferons tipo I — mensageiros imunológicos naturais que desempenham um papel central na imunidade inata. Ao estimular essas vias imunológicas precoces, a vacina ajuda a "redefinir" os sinais imunológicos que os tumores frequentemente sequestram para evitar a detecção.
Estudos pré-clínicos em modelos murinos mostraram que a vacina reduziu o crescimento de melanoma, glioma e câncer ósseo metastático. Ela também pareceu converter tumores anteriormente resistentes em tumores que respondiam melhor aos inibidores de checkpoint imunológico. Os ensaios em humanos já começaram em pacientes com cânceres agressivos e recorrentes, incluindo glioma pediátrico e osteossarcoma. A estratégia clínica combina uma dose inicial imunoativadora "pronta para uso" com um reforço personalizado subsequente.
Duas grandes áreas de pesquisa que devem moldar o tratamento do câncer nos próximos 5 a 10 anos são as vacinas contra o câncer e as biópsias líquidas. Os exames de detecção precoce de múltiplos cânceres (MCEDs) — exames de sangue que podem detectar vários tipos de câncer em estágios muito iniciais — estão prestes a revolucionar a detecção precoce do câncer.
Para melhorar a conscientização e a detecção do câncer, especialistas recomendam integrar o rastreamento oncológico aos programas de saúde pública e vacinar adolescentes e pré-adolescentes, meninas e meninos, contra o papilomavírus humano (HPV), que causa cânceres de colo do útero, orofaringe e ânus. Ainda há desafios para tornar essas terapias mais amplamente disponíveis, tanto em termos de acessibilidade quanto de custo.