Avanços em medicina de precisão miram cânceres raros e pediátricos com terapias personalizadas

Pesquisadores estão avançando a medicina de precisão para cânceres raros e pediátricos por meio de perfilamento genético, dosagem apoiada por inteligência artificial e novas tecnologias de administração e fabricação de medicamentos, como a nanoimpressão 3D. As abordagens visam melhorar a eficácia do tratamento e reduzir toxicidades de curto e longo prazo, com potencial impacto em sobrevida e adesão terapêutica.

Investigadores estão avançando estratégias de tratamento personalizado para cânceres raros e pediátricos por meio de perfilamento genético, inteligência artificial e novas tecnologias de administração de fármacos. Cânceres raros afetam menos de 40.000 pessoas por ano, mas, em conjunto, representam 27% de todos os cânceres e respondem por 25% das mortes por câncer.

Um ensaio clínico conhecido como Investigation of Profile-Related Evidence Determining Individualized Cancer Therapy, ou I-PREDICT, usa o blueprint genético único do tumor de cada paciente para elaborar um tratamento medicamentoso personalizado, combinando múltiplos fármacos para atingir simultaneamente vários dos principais drivers genéticos do tumor. A maioria dos tumores tem múltiplas mutações causadoras de câncer, e abordar alterações moleculares secundárias ao mesmo tempo pode aumentar a eficácia do tratamento.

A abordagem do I-PREDICT foi aplicada com sucesso a tumores estromais gastrointestinais, bem como a uma gama mais ampla tanto de cânceres raros quanto de cânceres mais comuns. Uma paciente com câncer de mama que entrou no estudo em 2016 agora está livre de câncer, após estar à beira de cuidados paliativos (hospice) nove anos atrás.

Para cânceres abdominais raros, particularmente os do pâncreas e do trato gastrointestinal, incluindo tumores do apêndice, pesquisadores combinaram cirurgia de remoção do tumor com quimioterapia aquecida (HIPEC) administrada diretamente no abdome. O primeiro uso de modelos de tecido de câncer de apêndice para testar novos fármacos em laboratório levou à descoberta de que Palbociclib, um medicamento tradicionalmente usado para tratar câncer de mama, apresentou potencial notável no tratamento dessa doença rara. Por ser um medicamento já aprovado pela FDA e com um perfil de efeitos colaterais conhecido, ele poderia ser rapidamente levado a ensaios clínicos.

Resultados publicados no Journal of Clinical Oncology demonstraram Palbociclib como a primeira terapia-alvo verdadeiramente eficaz para câncer de apêndice e, possivelmente, para outros cânceres que compartilham mutações genéticas semelhantes. Pacientes em todo os EUA estão começando a se beneficiar dessa descoberta, e seguradoras ampliaram a cobertura para o tratamento com base no relatório.

Na oncologia pediátrica, mais de 400.000 crianças recebem diagnóstico de câncer anualmente, tornando-o uma das principais causas de doença e morte na infância em todo o mundo. Embora as taxas de sobrevida para leucemia linfoblástica aguda estejam acima de 90% em países de alta renda, elas permanecem abaixo de 40% em muitos países de baixa e média renda. Sobreviventes de longo prazo enfrentam riscos de doenças não transmissíveis, como cardiopatia por antraciclinas, perda auditiva por cisplatina e dificuldades de aprendizagem após irradiação craniana.

O perfilamento molecular orientado por IA pode analisar dados genéticos, clínicos e de tratamento para prever como uma criança responderá à terapia, ajustar doses e reduzir o risco de efeitos colaterais. A nanoimpressão 3D permite a produção de medicamentos personalizados sob demanda. Uma busca estruturada da literatura no PubMed, Scopus, Web of Science e Google Scholar (2005–2024) identificou estudos mostrando que, em leucemia, neuroblastoma, tumores cerebrais, sarcoma ósseo e linfoma, plataformas apoiadas por IA melhoraram a exposição individualizada à quimioterapia, anteciparam toxicidade com base em marcadores clínicos ou farmacogenômicos e ajudaram clínicos a modificar o tratamento precoce.

A nanoimpressão 3D possibilitou medicamentos adequados para crianças, polipílulas com múltiplos fármacos e formulações de liberação controlada que reduziram erros de dose e melhoraram a adesão ao tratamento. Experiência inicial em ambiente hospitalar com monitoramento terapêutico de fármacos bayesiano e impressão sob demanda de medicamentos pediátricos sugeriu alta viabilidade para cenários clínicos reais. A variabilidade genética dentro dos tumores faz com que partes do mesmo tumor respondam de forma diferente, aumentando o risco de falha terapêutica.

A maioria dos medicamentos é projetada para adultos e depois adaptada para crianças, o que pode levar a erros de dose, baixa adesão e efeitos colaterais prejudiciais. A dosagem guiada por IA e as formulações nanoimpressas aumentaram a precisão, reduzindo toxicidades agudas e tardias que favorecem desfechos mais saudáveis a longo prazo em crianças com câncer, particularmente quando vinculadas a necessidades específicas da doença.

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References

  1. Myeloid diversity in tumors: Shaped by genes, location, and time · rupress.org
  2. Targeting the Uncommon: Rare Cancers - UC San Diego · today.ucsd.edu
  3. Precision Pediatric Cancer Nanomedicine: Advancing Personalized Nano T | IJN · dovepress.com