Terapias celulares CAR-T e CAR-NK de nova geração mostram potencial no tratamento do câncer
Avanços recentes em terapias com receptor de antígeno quimérico destacam melhorias no desenho de CAR-T e CAR-NK, com novas estratégias para enfrentar desafios de eficácia e segurança em tumores hematológicos e sólidos. Entre as abordagens, estão constructos CAR mais sofisticados, melhor manejo de toxicidades e maior foco em acesso e equidade no uso clínico.
Uma nova perspectiva editorial publicada no Volume 17 de Oncotarget em 20 de fevereiro de 2026 revisa os recentes avanços clínicos e translacionais na terapia com células T com receptor de antígeno quimérico (CAR-T) e destaca tanto seu potencial quanto as barreiras que ainda persistem. A perspectiva sintetiza avanços clínicos recentes em neoplasias hematológicas e aplicações emergentes em tumores sólidos, ao mesmo tempo em que chama atenção para segurança (por exemplo, síndrome de liberação de citocinas e neurotoxicidade), resistência, especificidade do antígeno e disparidades de acesso.
O editorial resume o fluxo de trabalho do CAR-T (leucaférese → modificação genética e expansão → infusão) e observa ganhos clínicos importantes recentes — incluindo melhores desfechos em leucemia, linfoma e mieloma múltiplo — que sustentam uma adoção mais ampla de abordagens de imunoterapia celular. Apesar desses avanços, permanecem desafios clínicos relevantes, particularmente para tumores sólidos, nos quais a seleção de antígenos, o microambiente tumoral e o tráfego/migração de células T limitam a eficácia.
Os autores apontam os próximos passos claros para a área: (1) refinamento contínuo dos constructos CAR (dupla mira/dual-targeting, sistemas comutáveis liga/desliga, CARs “armored”) para melhorar a especificidade e reduzir a toxicidade on-target/off-tumor; (2) melhoria de protocolos de manejo e medidas profiláticas para mitigar CRS e neurotoxicidade; (3) expansão da investigação de plataformas CAR-T alogênicas ou alternativas para enfrentar barreiras de fabricação, custo e acesso; e (4) estudos translacionais direcionados para aprimorar o tráfego/migração de células T e a eficácia em tumores sólidos. Eles também destacam questões de equidade — disparidades socioeconômicas e raciais que limitam o acesso ao CAR-T — e defendem que planos de implementação em larga escala incluam estratégias para ampliar disponibilidade e acessibilidade financeira.
Em pesquisas paralelas sobre terapias CAR-NK, pesquisadores do Hemocentro de Ribeirão Preto e do Center for Cell-Based Therapy conduziram um estudo usando a linhagem celular NK-92 para testar novos modelos de receptores de antígeno quiméricos com domínios coestimuladores específicos, como 2B4 e DAP12. Os testes mostraram que esses componentes ajudaram a deixar as células “prontas para atacar”, aumentando assim sua capacidade de destruir tumores. Os resultados foram publicados na revista Frontiers in Immunology.
As terapias celulares baseadas em CAR estão revolucionando o tratamento do câncer, especialmente para tumores hematológicos. No entanto, embora já se saiba quais componentes funcionam melhor em células CAR-T, muitas questões permanecem sobre quais sinais intracelulares tornam as células CAR-NK mais eficazes.
A pesquisa demonstra que combinar coestimulação otimizada com controle farmacológico reversível pode aumentar a potência e a eficiência das terapias CAR-NK, abrindo caminho para novas gerações de terapias celulares. O estudo também avaliou o uso temporário do fármaco dasatinib para controlar a ativação dessas células. Em modelos animais, células CAR-NK com 2B4-DAP12, pré-tratadas com dasatinib, mostraram melhor controle tumoral em comparação com versões tradicionais.