Combinações com pembrolizumab mostram benefício de sobrevida em câncer de bexiga e de ovário

Regimes combinados à base de pembrolizumab mostraram melhorias significativas de sobrevida em dois ensaios distintos: KEYNOTE-B15, em câncer de bexiga músculo-invasivo, e KEYNOTE-B96, em câncer de ovário resistente à platina. Para o câncer de ovário, a FDA concedeu aprovação em fevereiro de 2026 para pembrolizumab em combinação com paclitaxel, com ou sem bevacizumab.

Dois grandes ensaios clínicos demonstraram benefícios significativos de sobrevida para regimes de combinação à base de pembrolizumab no tratamento de cânceres de bexiga e de ovário, com um dos regimes recebendo aprovação da FDA em fevereiro de 2026.

O estudo KEYNOTE-B15 randomizou 808 pacientes com câncer de bexiga músculo-invasivo para receber enfortumab vedotin mais pembrolizumab no período perioperatório ou quimioterapia neoadjuvante à base de cisplatina, ambos administrados com cirurgia. O estudo utilizou a sobrevida livre de eventos como desfecho primário. Observou-se uma redução substancial no risco de recorrência ou progressão com enfortumab vedotin mais pembrolizumab, juntamente com uma vantagem de sobrevida global estatisticamente significativa. A combinação de enfortumab vedotin, um conjugado anticorpo-fármaco, com pembrolizumab, um inibidor de checkpoint imune, tornou-se o tratamento padrão para câncer de bexiga metastático nos últimos anos.

A quimioterapia à base de cisplatina administrada por cerca de três meses antes da cirurgia tem sido o padrão de cuidado para câncer de bexiga músculo-invasivo há aproximadamente 25 anos. No estudo KEYNOTE-B15, não houve diferença na capacidade de prosseguir com a cirurgia em nenhum dos braços do estudo, e não foi observado aumento claro de complicações.

No câncer de ovário resistente à platina, o estudo de fase 3 KEYNOTE-B96 mostrou que pembrolizumab mais paclitaxel com ou sem bevacizumab é o primeiro regime à base de inibidor de PD-1 a demonstrar melhora estatisticamente significativa na sobrevida global independentemente do status de PD-L1. Na análise final, após um seguimento mediano de 32,7 meses (intervalo, 26,1-44,1), o regime com pembrolizumab demonstrou uma melhora estatisticamente significativa e clinicamente relevante na sobrevida global.

Em 10 de fevereiro de 2026, a FDA aprovou pembrolizumab e pembrolizumab e berahyaluronidase alfa-pmph em combinação com paclitaxel para carcinoma epitelial de ovário, de trompa de Falópio ou peritoneal primário resistente à platina. O Committee for Medicinal Products for Human Use da European Medicines Agency adotou um parecer positivo recomendando a aprovação de pembrolizumab em combinação com paclitaxel com ou sem bevacizumab para o tratamento de carcinoma epitelial de ovário, de trompa de Falópio ou peritoneal primário resistente à platina em adultos cujos tumores expressam PD-L1 (CPS ≥1) e que receberam um ou dois regimes prévios de tratamento sistêmico.

Na população geral (all comers) do KEYNOTE-B96, pembrolizumab mais paclitaxel com ou sem bevacizumab reduziu o risco de progressão da doença ou morte em 27% (HR=0,73 [IC 95%, 0,62-0,87]) em comparação com paclitaxel com ou sem bevacizumab isoladamente. Em pacientes com câncer de ovário recorrente resistente à platina cujos tumores expressam PD-L1 (CPS ≥1), o regime com pembrolizumab reduziu o risco de progressão da doença ou morte em 24% (HR=0,76 [IC 95%, 0,62-0,93]) versus paclitaxel com ou sem bevacizumab isoladamente. O regime com pembrolizumab também demonstrou uma melhora clinicamente relevante na sobrevida global em pacientes com câncer de ovário recorrente resistente à platina cujos tumores expressam PD-L1 (CPS ≥1), reduzindo o risco de morte em 24% (HR=0,76 [IC 95%, 0,62-0,93]) em comparação com paclitaxel com ou sem bevacizumab.

O perfil de segurança de pembrolizumab no estudo KEYNOTE-B96 foi consistente com o observado em estudos previamente reportados; não foram identificadas novas preocupações de segurança. Eventos adversos relacionados ao tratamento de grau ≥3 ocorreram em 67,8% dos pacientes que receberam o regime com pembrolizumab (n=320) versus 55,3% dos pacientes que receberam o regime com placebo (n=318). Eventos adversos relacionados ao tratamento levaram à morte em 1,3% dos pacientes que receberam o regime com pembrolizumab e em 1,6% dos pacientes que receberam o regime com placebo.

Eventos adversos imunomediados e reações à infusão de qualquer grau ocorreram em 39,4% dos pacientes que receberam o regime com pembrolizumab e em 18,9% dos pacientes que receberam o regime com placebo. O evento mais comum entre esses (ocorrendo em ≥10% dos pacientes) foi hipotireoidismo (18,1%) nos pacientes que receberam o regime com pembrolizumab. Eventos adversos imunomediados levaram à morte em 0,6% dos pacientes no braço pembrolizumab e em nenhum paciente no braço placebo.

O câncer de ovário é o oitavo câncer mais frequentemente diagnosticado e a oitava principal causa de morte por câncer entre mulheres no mundo. Em 2022, houve mais de 324.000 pacientes diagnosticadas com câncer de ovário e quase 207.000 mortes pela doença globalmente. Mais de 80% das pacientes diagnosticadas com câncer de ovário apresentarão progressão da doença após o tratamento padrão com regimes de quimioterapia à base de platina. Entre essas pacientes, aproximadamente 25% apresentarão progressão da doença em até seis meses após concluir a quimioterapia à base de platina de primeira linha, definida como câncer de ovário primariamente resistente à platina. O prognóstico é particularmente ruim para essas pacientes e as opções de tratamento aprovadas são limitadas.

KEYNOTE-B96, também conhecido como ENGOT-ov65, é um ensaio de Fase 3 multicêntrico, randomizado, duplo-cego, controlado por placebo (ClinicalTrials.gov, NCT05116189). Duas pacientes que participaram do ensaio KEYNOTE-B96 tinham câncer de ovário resistente à platina com progressão em até 3 meses após a última exposição à platina. Ambas as pacientes não apresentaram evidência de doença após 3 a 4 meses de paclitaxel semanal com a combinação. Elas acabaram interrompendo o paclitaxel semanal devido a efeitos adversos, mas continuaram por vários meses adicionais de manutenção com pembrolizumab ou placebo mais bevacizumab. Ambas as pacientes ainda não apresentavam evidência de doença 18 meses após sair do ensaio clínico KEYNOTE-B96.

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  1. Can Padcev Plus Keytruda Help More Patients Beat Bladder Cancer? - CURE · curetoday.com
  2. KEYTRUDA® (pembrolizumab) Plus Paclitaxel With or Without Bevacizumab Significantly ... · markets.ft.com
  3. How Tolerable is Pembrolizumab/Paclitaxel/Bevacizumab in PROC? - CancerNetwork · cancernetwork.com