FDA vai reavaliar status de segurança de ingredientes de alimentos ultraprocessados

O secretário de Saúde e Serviços Humanos, Robert F. Kennedy Jr., afirmou que a FDA analisará uma petição para revogar o status GRAS de dezenas de adoçantes e amidos refinados, incluindo corn syrup, caso as empresas não comprovem sua segurança. A iniciativa mira a brecha do GRAS, que permite que companhias validem ingredientes sem supervisão governamental.

O governo Trump responderá a uma petição de cidadãos que pede uma reformulação regulatória dos alimentos ultraprocessados, disse o secretário de Saúde e Serviços Humanos (HHS), Robert F. Kennedy Jr., ao programa “60 Minutes”, em entrevista exibida na noite de domingo. A Food and Drug Administration (FDA) considerará uma petição para revogar o status de segurança de dezenas de carboidratos refinados processados, a menos que as empresas de alimentos consigam provar que eles são seguros e que não estão contribuindo para problemas de saúde e obesidade.

“Nós vamos agir em relação à petição de David Kessler”, disse Kennedy, referindo-se à petição que o ex-chefe da FDA está liderando e que pede que a agência deixe de classificar adoçantes, incluindo corn syrup, como “Generally Recognized as Safe” (GRAS). O ex-comissário da agência solicitou à FDA, em agosto passado, que retirasse corn syrup e dezenas de outros adoçantes e amidos da lista de ingredientes classificados como GRAS.

“As perguntas que ele está fazendo são perguntas que a FDA deveria estar fazendo há muito, muito tempo”, disse Kennedy. “Não há como qualquer americano saber se um produto é seguro se ele é ultraprocessado.”

Kennedy e o ex-comissário afirmam que a classificação GRAS, instituída pelo Congresso em 1958, permitiu o uso de ingredientes sem uma revisão completa de segurança pelo governo porque possibilita que empresas de alimentos verifiquem a segurança desses itens sem supervisão. Kennedy disse que pretende fechar essa brecha se obtiver aprovação da Casa Branca.

“Essa brecha foi sequestrada pela indústria e foi usada para adicionar milhares e milhares de novos ingredientes ao nosso abastecimento alimentar. Na Europa há apenas 400 ingredientes legais. Esta agência não sabe quantos ingredientes existem nos alimentos americanos”, disse Kennedy. “As estimativas ficam entre 4.000 e 10.000. Não temos ideia de quais são.”

Em outubro, Kennedy orientou a FDA a revisar todas as declarações de GRAS, um processo que as empresas usam para demonstrar que uma substância é segura para consumo sem precisar de aprovação completa da agência.

Kennedy não detalhou na entrevista que medida tomaria em resposta à petição, mas indicou que isso pode não resultar nas regulamentações pedidas pela petição. “Não estou dizendo que vamos regulamentar alimentos ultraprocessados”, afirmou Kennedy, que no mês passado emitiu novas diretrizes do governo que, pela primeira vez nos EUA, recomendaram formalmente reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados. “Nosso trabalho é garantir que todos entendam o que estão consumindo, para ter um público informado.”

No mês passado, o governo Trump anunciou novas diretrizes alimentares que incentivam os americanos a comer mais proteína e menos açúcar do que se aconselhava anteriormente, ao mesmo tempo em que evitam alimentos altamente processados.

Dados do CDC divulgados no ano passado mostraram que adultos e crianças acima de 1 ano obtiveram mais da metade de suas calorias diárias de alimentos ultraprocessados, como hambúrgueres, pizza e bebidas adoçadas, nos EUA entre 2021 e 2023.

O ex-comissário, pediatra, foi comissário da FDA de 1990 a 1997. Durante seu período à frente da FDA, ele tentou regulamentar o tabaco sob a alçada da agência. O esforço acabou fracassando, mas ajudou a colocar um maior holofote sobre a indústria do tabaco. Agora ele quer que a FDA adote a mesma abordagem com as grandes empresas de alimentos.

“Nós mudamos a forma como este país vê o tabaco”, disse o ex-comissário ao programa. “Precisamos mudar a forma como este país vê esses alimentos ultraprocessados.”

O ex-comissário observou no programa que ele e Kennedy discordaram em várias questões. “Nos termos mais fortes possíveis, quando se trata de vacinas, eu discordo. Mas se ele estiver disposto a agir em relação a esses alimentos ultraprocessados, serei o primeiro a aplaudir isso”, disse.

Kennedy tornou a melhoria da dieta nos EUA uma prioridade, com sua agenda “Make America Healthy Again” (MAHA). No entanto, críticos afirmaram que ele, em grande parte, obteve apenas compromissos de empresas para substituir ingredientes isolados, o que não teria grande impacto na saúde.

A Consumer Brands Association, um importante grupo comercial que representa a indústria de alimentos, afirmou em nota: “As empresas seguem os rigorosos padrões de segurança baseados em evidências e a política de nutrição estabelecidos pela FDA para oferecer produtos seguros, acessíveis e convenientes dos quais os consumidores dependem todos os dias.”

As empresas de alimentos já “seguem a avaliação de ingredientes no abastecimento alimentar feita pela FDA, baseada em ciência e risco”, disse a Consumer Brands Association em comunicado. “O processo GRAS desempenha um papel importante ao permitir que as empresas inovem para atender à demanda dos consumidores … Estamos prontos para trabalhar com o HHS e a FDA enquanto eles buscam revisar o GRAS para continuar garantindo a análise de ingredientes seguros e aumentar a transparência ao consumidor”, afirmou o grupo.

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References

  1. RFK: FDA "will act on" ultra-processed foods petition - Axios · www.axios.com
  2. US health regulators to consider safety status of processed ingredients, RFK Jr. says | WKZO · wkzo.com
  3. Human "biology was never intended to handle" ultraprocessed foods, former FDA head ... · www.cbsnews.com