Especialistas Alertam que Tratamento da Hepatite B é Complexo Demais; Filipinas Enfrentam Alta Carga da Doença
Nas Filipinas, estima-se que 7,3 milhões de adultos vivam com hepatite B crônica, muito acima das médias regionais. Especialistas alertam que diretrizes de tratamento complexas podem dificultar que clínicos da atenção primária iniciem o cuidado, enquanto o sucesso da Tailândia com a vacinação mostra um caminho para a eliminação. Expandir a triagem e simplificar o tratamento são medidas críticas.
A prevenção e o tratamento da hepatite B enfrentam obstáculos persistentes, desde a alta prevalência em regiões endêmicas até diretrizes clínicas excessivamente complexas, que podem desestimular os profissionais da atenção primária a manejar a doença.
Nas Filipinas, um dos países mais endêmicos para hepatite B no Pacífico Ocidental, estima-se que 7,3 milhões de adultos filipinos — aproximadamente 17% da população adulta — vivem com hepatite B crônica, de acordo com a Sociedade de Hepatologia das Filipinas. Esse número é mais que o dobro da média regional. Globalmente, a hepatite viral mata mais de um milhão de pessoas por ano, principalmente por cirrose hepática e câncer de fígado.
Embora não haja tratamento específico para a hepatite B aguda, a infecção crônica pode ser manejada com medicamentos antivirais que suprimem a replicação viral, retardam a progressão da doença, reduzem significativamente o risco de câncer de fígado e melhoram a sobrevida em longo prazo. No entanto, especialistas argumentam que a complexidade dos algoritmos de tratamento e os critérios históricos restritivos podem ter sinalizado inadvertidamente aos médicos da atenção primária que o cuidado da hepatite B deve ser deixado aos especialistas.
Durante um recente painel de discussão, hepatologistas exploraram se a área criou uma forma de paternalismo em relação a outros clínicos, tornando-os hesitantes em iniciar a terapia por medo de fazer algo errado. Uma médica que vive com hepatite B crônica compartilhou que muitos clínicos se sentiam desconfortáveis em discutir o tratamento fora dos limites rígidos das diretrizes, mesmo que alguns admitissem em particular que escolheriam a terapia para si. Os pacientes, observou ela, frequentemente questionam por que medicamentos seguros, eficazes e cada vez mais acessíveis são retidos quando os benefícios da intervenção precoce poderiam ser substanciais.
Pesquisas emergentes sobre integração do DNA viral, exaustão imunológica e risco oncogênico de longo prazo continuam a remodelar a compreensão da progressão da doença, mas essa ciência mecanicista não se encaixa facilmente nos quadros de evidências usados para gerar recomendações formais. Essa desconexão pode contribuir para uma lacuna entre como os especialistas percebem o risco e como as decisões de tratamento são comunicadas na prática. Capacitar os médicos da atenção primária a se sentirem confortáveis no manejo da hepatite B é essencial para expandir o acesso, concordaram os especialistas, enfatizando que o cuidado não deve permanecer confinado aos ambientes especializados.
A vacinação continua sendo a ferramenta mais poderosa contra a hepatite B. A Organização Mundial da Saúde (WHO) afirma que a vacina oferece proteção por pelo menos 20 anos e provavelmente por toda a vida; foi também a primeira vacina comprovada para prevenir um câncer humano importante. Nas Filipinas, a transmissão perinatal é uma das principais causas de infecção, e o Ministério da Saúde determina uma dose ao nascer da vacina contra hepatite B nas primeiras 24 horas de vida, seguida pelo esquema completo do Programa Ampliado de Imunização. Gestantes diagnosticadas com hepatite B crônica também podem receber terapia antiviral para reduzir o risco de transmissão.
A experiência da Tailândia demonstra o que pode ser alcançado por meio de um compromisso sustentado de saúde pública. Após introduzir a vacinação universal de recém-nascidos em 1992, combinada com triagem rotineira de gestantes e administração oportuna de imunoglobulina, as taxas de portadores de hepatite B entre crianças menores de 10 anos caíram para menos de 0,1% — atingindo a meta da WHO de eliminar a transmissão materno-infantil. Populações mais velhas continuam sendo ativamente rastreadas e vinculadas ao cuidado, aproximando o país da meta de eliminação para 2030. Essas abordagens abrangentes, juntamente com esforços para simplificar as diretrizes de tratamento, são vistas como fundamentais para reduzir a carga global da hepatite B.