Eli Lilly amplia pipeline com aquisição de US$ 2,4 bilhões da Orna Therapeutics
A Eli Lilly anunciou a aquisição da Orna Therapeutics por US$ 2,4 bilhões e outras duas colaborações que somam mais de US$ 1 bilhão. Os acordos visam desenvolver tratamentos para distúrbios imunológicos, câncer e terapias gênicas para perda auditiva.
Eli Lilly anunciou a aquisição da Orna Therapeutics por US$ 2,4 bilhões. A empresa desenvolve medicamentos inovadores capazes de manipular os genes e/ou as células do paciente para combater doenças dentro do próprio organismo, e não em laboratório. Se o medicamento atualmente conhecido pelo nome provisório ORN-252 chegar ao mercado, poderá ser o próximo grande sucesso de vendas.
Pouco antes do anúncio da Orna, Lilly informou que pagaria US$ 350 milhões adiantados para colaborar com uma empresa chinesa de biotecnologia no desenvolvimento de tratamentos para distúrbios imunológicos e câncer. Em janeiro, anunciou outro acordo de mais de US$ 1 bilhão com uma empresa alemã para desenvolver terapias gênicas para perda auditiva.
Lilly já foi consagrada como vencedora da enorme categoria de medicamentos GLP-1, a classe de fármacos que se mostrou extremamente eficaz na redução dos níveis de glicose no sangue e na promoção de perda de peso. A empresa atualmente vende tirzepatide, o medicamento mais vendido do mundo. No ano passado, ele tirou do topo o Keytruda, o imunoterápico contra o câncer fabricado pela Merck. Tirzepatide é comercializado como Mounjaro para tratar diabetes tipo 2 e como Zepbound para perda de peso.
A indústria farmacêutica apresenta desafios para investimento devido a cronogramas longos de desenvolvimento e limitações de patentes. Leva mais de 10 anos para desenvolver um novo medicamento e custa, em média, US$ 2,6 bilhões. A taxa de sucesso do desenvolvimento de novos fármacos, da concepção à aprovação pela FDA, é de cerca de 8%. Uma patente de medicamento normalmente dura 20 anos, mas, como o desenvolvimento é tão demorado — frequentemente mais de 10 anos —, grande parte da vigência é consumida antes de o produto chegar ao mercado. Assim, a exclusividade comercial efetiva costuma ser de apenas 10 a 12 anos.
Todas as farmacêuticas enfrentam vencimentos de patentes, quando concorrentes podem lançar versões genéricas mais baratas e tomar participação de mercado. O preço das ações da Pfizer disparou de cerca de US$ 33 em fevereiro de 2020 para quase US$ 60 em dezembro, devido à rápida produção e aprovação de uma vacina contra COVID-19. Desde então, a demanda por essa vacina diminuiu, e a ação entrou em trajetória de queda. Após despencar em 2023, o preço tem oscilado de lado desde o início de 2024. Agora está em torno de US$ 28, abaixo do nível pré-COVID.
As ações da Lilly acumulam alta de mais de 400% nos últimos cinco anos, superando com folga o mercado como um todo. O índice S&P 500 subiu cerca de 73% no mesmo período. Com valor de mercado de aproximadamente US$ 936 bilhões, a empresa se aproxima rapidamente do seleto clube de US$ 1 trilhão, que hoje reúne apenas 12 companhias abertas.