Publicidade Direta ao Consumidor de Medicamentos Volta a Ser Questionada com Gastos Acima de US$ 9 bilhões

Os gastos com publicidade direta ao consumidor de medicamentos sob prescrição alcançaram US$ 9 bilhões em 2024, reacendendo o debate sobre a legalidade dessa prática. Estados Unidos e Nova Zelândia seguem como os únicos países desenvolvidos que permitem esse tipo de marketing, enquanto crescem pressões para retomar restrições anteriores a 1997.

Gastos totais com publicidade direta ao consumidor de medicamentos sob prescrição ultrapassaram US$ 9 bilhões em 2024, segundo cálculos da MediaRadar. A controvérsia sobre se deveria ser legal comercializar medicamentos diretamente para potenciais pacientes voltou a ganhar atenção tanto do governo Trump quanto de parlamentares.

Os Estados Unidos e a Nova Zelândia são os únicos países desenvolvidos que permitem publicidade direta ao consumidor de medicamentos sob prescrição, apesar da oposição de décadas da American Medical Association.

O debate sobre anúncios diretos ao consumidor remonta a 1997, quando a FDA afrouxou as restrições e permitiu anúncios de medicamentos sob prescrição na televisão, desde que incluíssem um resumo rápido dos principais riscos e oferecessem uma fonte para mais informações. A introdução do Medicare Part D em 2006 trouxe uma enorme ampliação da cobertura de medicamentos sob prescrição e, como resultado, um grande aumento na publicidade farmacêutica. Um estudo publicado em 2023 constatou que anúncios farmacêuticos eram muito mais prevalentes em áreas com alta proporção de residentes com 65 anos ou mais.

A questão tem relevância particular para adultos mais velhos, que lidam com mais problemas médicos do que pessoas mais jovens e têm maior probabilidade de usar medicamentos sob prescrição. Parte do envelhecimento é desenvolver condições de saúde e tornar-se um alvo da publicidade de medicamentos.

Pesquisas da indústria e do meio acadêmico mostraram que anúncios influenciam as taxas de prescrição. Pacientes têm maior probabilidade de marcar consultas e solicitar medicamentos, seja pelo nome de marca ou pela categoria, e médicos frequentemente atendem a esses pedidos. Podem ocorrer múltiplas consultas de acompanhamento.

Em um estudo de 2023 no JAMA Network Open, pesquisadores analisaram o valor terapêutico dos medicamentos mais anunciados na televisão, com base nas avaliações de organizações independentes europeias e canadenses que negociam preços de medicamentos aprovados. Quase três quartos dos medicamentos mais anunciados não tiveram desempenho significativamente melhor do que os mais antigos, concluiu a análise.

Muitas vezes, medicamentos realmente bons se vendem sozinhos. Medicamentos sem valor terapêutico adicional precisam ser impulsionados, e é isso que a publicidade direta ao consumidor faz.

Defensores da saúde pública argumentam que esses anúncios incentivam o uso e o uso excessivo de novos medicamentos caros, mesmo quando fármacos existentes, mais baratos, funcionam com a mesma eficácia. Empresas farmacêuticas não se dão ao trabalho de anunciar quando patentes expiram e medicamentos genéricos ficam disponíveis.

Opositores de uma proibição desse tipo de publicidade dizem que ela beneficia os consumidores. Ela fornece informação e educação aos pacientes, os conscientiza sobre tratamentos disponíveis e os leva a buscar atendimento. Isso é especialmente importante para condições subdiagnosticadas, como depressão. Anúncios diretos ao consumidor levam ao aumento do uso não apenas de medicamentos de marca, mas também de substitutos não anunciados, incluindo genéricos.

A Novo Nordisk, que fabrica Ozempic, gastou uma estimativa de US$ 180 milhões em publicidade direta ao consumidor em 2022 e US$ 189 milhões em 2023, segundo a MediaRadar. Em 2024, o montante — incluindo comerciais de rádio e TV, outdoors e anúncios impressos e digitais — havia alcançado uma estimativa de US$ 201 milhões.

O governo Trump entrou nesse debate em setembro com um memorando presidencial que pediu o retorno à política anterior a 1997, que restringia severamente a publicidade direta ao consumidor de medicamentos.

Suplementos não são regulamentados pela FDA. Foi proposta uma lei de regulação, mas o Congresso aprovou a Dietary Supplement Health and Education Act em seu lugar. Agora, esses produtos podem chegar às prateleiras sem nenhuma comprovação de segurança ou eficácia.

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References

  1. Pharmaceutical advertising dangers: Why drug ads hurt patients - KevinMD.com · kevinmd.com
  2. Should Drug Companies Be Advertising to Consumers? - KFF Health News · kffhealthnews.org
  3. Should Drug Companies Be Advertising to Consumers? - The New York Times · nytimes.com