Terapia CAR-T se Expande Além do Câncer: Marco na Irlanda, Novos Estudos e Descobertas Genéticas

A terapia CAR-T atinge 150 pacientes na Irlanda e se expande para ensaios em doenças autoimunes como lúpus e esclerose múltipla. O miv-cel, da Kyverna, está próximo da aprovação da FDA para a síndrome da pessoa rígida, e uma nova pesquisa relaciona variantes genéticas aos resultados da terapia CAR-T.

Mais de 150 pacientes já receberam terapia CAR-T na Irlanda desde que o tratamento foi introduzido há cinco anos, um marco para uma terapia que pode curar efetivamente cerca de 40 a 50% dos pacientes com linfoma resistente à quimioterapia. O St James’s Hospital, em Dublin, tratou seu primeiro paciente com terapia CAR-T em dezembro de 2021 e, desde então, atendeu pacientes de todo o país. A terapia CAR-T utiliza o próprio sistema imunológico do paciente para combater o câncer: os linfócitos T são retirados do sangue, modificados geneticamente para expressar um receptor de antígeno quimérico (CAR) que reconhece o antígeno de superfície das células tumorais, cultivados em laboratório e infundidos de volta no paciente, onde se ligam ao antígeno nas células tumorais e as matam.

Na Irlanda, o tratamento com CAR-T é reservado a certos pacientes com câncer no sangue que respondem mal à quimioterapia ou cuja doença reaparece em um curto período, segundo um hematologista consultor do St James’s. A maioria dos pacientes irlandeses que receberam o tratamento tinha linfoma de alto grau, e um número menor de pacientes com leucemia linfoblástica aguda também recebeu a terapia. O número de pacientes tratados aumentou ano após ano, com 45 pessoas tratadas no ano passado, e espera-se que esse número seja ainda maior em 2026. A previsão é que a abertura de uma unidade de terapia CAR-T no University Hospital Galway amplie o acesso ao tratamento para ainda mais pacientes no futuro.

A terapia CAR-T também está sendo explorada para doenças autoimunes. Uma mulher de 37 anos com lúpus grave, que recebeu um tratamento único de CAR-T no Addenbrooke’s Hospital, em Cambridge, no verão de 2025, como parte de um estudo de Fase I, disse que, um ano depois, a terapia transformou sua vida. “Esta é a primeira vez desde a adolescência que realmente me sinto saudável”, afirmou, classificando o tratamento como “a melhor decisão que já tomei”. O Cambridge University Hospitals tornou-se agora o primeiro do mundo a começar a recrutar pacientes para um estudo maior de Fase II da terapia, desenvolvida pela empresa britânica de biotecnologia Autolus. A terapia CAR-T funciona coletando as células imunológicas do paciente, modificando-as em laboratório e devolvendo-as à corrente sanguínea, onde atacam as células imunológicas nocivas responsáveis pela doença. Cerca de uma em cada mil pessoas é afetada pelo lúpus eritematoso sistêmico, uma doença autoimune crônica que pode danificar articulações, pele, rins, coração e outros órgãos.

Na esclerose múltipla, o CAR-T tem como objetivo redefinir o sistema imunológico ao depletar as células B, que se acredita estarem impulsionando o ataque autoimune que causa a doença. Um paciente de 40 anos de Rotherham foi o primeiro em Sheffield e o sétimo em um estudo global a receber terapia com células T CAR-T como potencial tratamento para a EM. O estudo, conhecido como AUTOMS-1 ou BOBCAT, avalia se a terapia com células T CAR-T pode ser um tratamento potencial para a EM e está aberto a pacientes de 18 a 60 anos com diagnóstico de EM progressiva que não respondem bem à medicação existente e cuja incapacidade está piorando. Os pesquisadores recrutarão até 18 pacientes globalmente, com a primeira fase focada em testar a segurança da terapia.

Embora nenhum tratamento CAR-T tenha sido autorizado por órgãos reguladores para condições autoimunes até o momento, o miv-cel, da Kyverna Therapeutics, está prestes a obter aprovação até o final deste ano. O miv-cel tem como alvo o antígeno CD19 e foi projetado para reduzir a liberação de citocinas e eliminar as células B nocivas. Dados de um estudo de fase 2 mostraram que uma dose única melhorou a mobilidade em pacientes com síndrome da pessoa rígida, reverteu os escores de incapacidade e eliminou a necessidade de imunoterapias. A empresa iniciou um envio contínuo do Pedido de Licença Biológica (BLA) à Food and Drug Administration (FDA) dos EUA em maio e deve concluir o processo até o final do ano. Estudos de fase 2 da terapia também estão sendo conduzidos em miastenia gravis. A Cabaletta Bio está desenvolvendo o rese-cel, uma terapia CAR-T CD19 totalmente humana, em estudos de fase 1/2 para lúpus eritematoso sistêmico. As terapias CAR-T estão no mercado para tratar câncer desde que o Kymriah foi aprovado pela primeira vez em 2017.

Uma nova pesquisa mostrou que a composição genética herdada pelos pacientes pode influenciar se eles se beneficiam da terapia com células T CAR-T ou apresentam toxicidade. Pesquisadores do Massachusetts General Hospital, do Dana-Farber Cancer Institute e do Broad Institute do MIT e de Harvard sequenciaram os genomas completos de mais de 200 pacientes com linfoma agressivo de dois grandes estudos clínicos de terapia com células T CAR-T. Eles descobriram que, em um dos estudos, pacientes com células T contendo variantes que silenciaram o gene STXBP2 tendiam a apresentar toxicidade relacionada ao tratamento. Variantes em um gene chamado ADAMTSL3 foram correlacionadas com proteção contra toxicidade, e variantes em PTPN22 foram fortemente associadas ao aumento da expansão das células T CAR-T, um fator determinante da eficácia da terapia. Os resultados sugerem que variantes nesses genes podem moldar a segurança e a atividade terapêutica das terapias com células T CAR-T e podem ser úteis para a triagem de doadores para futuras terapias alogênicas com células T CAR-T.

Apesar do progresso, ainda há desafios na área, incluindo o custo e a complexidade técnica da fenotipagem, do perfilamento e da purificação de células imunológicas, bem como a variabilidade nas respostas dos pacientes. Cada produto de células T CAR-T é fabricado de forma exclusiva a partir das células de um paciente ou doador, e esforços estão em andamento para compreender melhor a base mecanicista dos resultados do tratamento e melhorar a longevidade, a seletividade, a fabricação e a entrega dessas construções.

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References

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  2. Why Do Some People Never Get Cancer? The Answer May Be in Their Blood · singularityhub.com
  3. Lupus patient hails pioneering CAR - T trial as 'best decision I ever made' | News - Rayo · planetradio.co.uk
  4. Eight CAR - T companies tackling autoimmune disorders - Labiotech.eu · labiotech.eu
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