OMS Aprova Primeiro Medicamento Antimalárico para Bebês; Novo Composto de Dose Única Mostra Resultados Promissores
A OMS aprovou o primeiro medicamento antimalárico para bebês com menos de 5kg, e pesquisadores revelaram um composto de dose única, a cabamiquina, que mostrou resultados promissores em ensaios iniciais. O investimento na Medicines for Malaria Venture gerou US$ 13 em benefícios de saúde para cada US$ 1 investido, evitando 1,6 milhão de mortes.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou o primeiro medicamento antimalárico especificamente desenvolvido para bebês, uma combinação de arteméter e lumefantrina que é segura para crianças com menos de 5 quilogramas (2,2 libras). A aprovação, anunciada antes do Dia Mundial da Malária em 25 de abril, permite que os países autorizem o medicamento mesmo sem ter capacidade de conduzir ensaios clínicos completos, e possibilita que agências da ONU adquiram e distribuam o tratamento em áreas endêmicas de malária, sujeito à aprovação governamental. Até agora, os bebês eram tratados com medicamentos desenvolvidos para crianças mais velhas, o que expõe os recém-nascidos a riscos de erros de dosagem e toxicidade.
Crianças menores de cinco anos continuam sendo o grupo mais vulnerável, representando cerca de 70% de todas as mortes relacionadas à doença transmitida por mosquitos. A malária também tem um grande impacto durante a gravidez, contribuindo para uma estimativa de 10.000 mortes maternas, 200.000 natimortos e cerca de 550.000 bebês nascidos com baixo peso ao nascer a cada ano, de acordo com a OMS. O novo medicamento preenche uma lacuna no atendimento médico para 30 milhões de bebês nascidos a cada ano em áreas endêmicas de malária na África. A África Subsaariana responde por nove em cada dez casos e mortes por malária no mundo.
Em um desenvolvimento separado, pesquisadores descreveram um novo composto antimalárico, chamado cabamiquina, como um "passo significativo" na luta global contra a doença. Descoberta por uma equipe da Universidade de Dundee, a molécula é descrita como uma "nova molécula com propriedades semelhantes a medicamentos" que pode ser administrada em dose única e tem potencial para simplificar os regimes de dosagem tanto para a prevenção quanto para o tratamento da malária. Ensaios clínicos iniciais mostraram que a terapia combinada com pironaridina foi eficaz e teve um perfil de segurança favorável em adultos e adolescentes, abrindo oportunidades para mais pesquisas, inclusive entre crianças. O estudo, publicado na The Lancet Infectious Diseases, foi conduzido pela Merck como parte do consórcio PAMAfrica e financiado conjuntamente pelo programa EDCTP2 com apoio da União Europeia e da Agência Sueca de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento.
O investimento em pesquisa contra a malária está gerando retornos significativos. Cada US$ 1 investido na Medicines for Malaria Venture (MMV) entre 2000 e 2023 gerou US$ 13 em benefícios de saúde monetizados, de acordo com um estudo publicado na The Lancet Global Health. Desde seu lançamento em 1999, a MMV trouxe 19 medicamentos antimaláricos ao mercado que trataram ou protegeram mais de 1,3 bilhão de pessoas em todo o mundo. O investimento total recebido pela MMV foi de US$ 2,3 bilhões ao longo do período de estudo de 23 anos, e os medicamentos antimaláricos desenvolvidos e lançados com seu apoio evitaram cerca de 1,6 milhão de mortes e 87 milhões de anos de vida ajustados por incapacidade (DALYs). O custo de entrega é estimado em US$ 785 milhões. Um novo medicamento antimalárico da Novartis, desenvolvido para recém-nascidos e bebês com menos de 5kg, em parceria com a MMV, foi lançado no final do ano passado em Gana, enquanto novos tratamentos para mulheres grávidas acabaram de entrar na Fase 3 de ensaios clínicos.
A malária mata quase 600.000 pessoas anualmente (dados de 2023), 95% na África, com cerca de 282 milhões de casos e mais de meio milhão de mortes relatadas em 2024. Desde 2000, os esforços globais levaram a um progresso significativo, com cerca de 14 milhões de mortes evitadas, segundo a OMS. No entanto, o progresso contra o parasita está estagnando, em parte devido à falta de recursos e à capacidade do parasita de sofrer mutação e desenvolver resistência aos medicamentos antimaláricos. A crescente resistência à artemisinina, o medicamento padrão de tratamento, é um enorme desafio que destaca a necessidade de novos produtos. A OMS prevê 78 milhões de casos adicionais de malária nos próximos cinco anos na ausência de novos tratamentos, o que pode resultar em 80.000 mortes adicionais por ano. Eventos climáticos extremos e conflitos também estão aumentando o risco de malária. No início deste mês de abril, a OMS aprovou três novos testes rápidos, pois os parasitas da malária evoluíram para se tornarem mais difíceis de detectar; em países do Chifre da África, até 80% dos casos foram considerados perdidos devido a falsos negativos, o que atrasou o tratamento e aumentou o risco de morte. Em 2021, a OMS recomendou a primeira vacina contra a malária, que foi introduzida em grande escala, visando crianças pequenas em vários países da África.