OMS lança ensaio clínico para tratamentos contra Ebola Bundibugyo na RDC

A OMS lançou o ensaio clínico PARTNERS para testar MBP134 e remdesivir contra a doença do vírus Bundibugyo na RDC. Consultores recomendam limitar todos os medicamentos candidatos contra Ebola a ensaios clínicos. O surto causou 1.792 casos confirmados e 625 mortes até 9 de julho.

A Organização Mundial da Saúde iniciou um ensaio clínico testando tratamentos experimentais para a doença do vírus Bundibugyo na República Democrática do Congo, enquanto consultores recomendam que todos os medicamentos candidatos contra Ebola sejam limitados a ensaios clínicos. O surto da cepa Bundibugyo do Ebola, declarado emergência de saúde pública de importância internacional, resultou em 1.792 casos confirmados e 625 mortes até 9 de julho.

O Platform Adaptive Randomised Trial for New and Repurposed Filovirus Treatments (PARTNERS) avaliará se duas terapias antivirais, o anticorpo monoclonal MBP134 e o remdesivir, podem melhorar a sobrevivência de pacientes com doença do vírus Bundibugyo confirmada. Os pesquisadores também avaliarão se a combinação dos dois tratamentos proporciona maior benefício clínico. O remdesivir, um antiviral fabricado pela Gilead Sciences, e o MBP134, um anticorpo monoclonal desenvolvido pela Mapp Biopharmaceutical, são ambos administrados por via intravenosa — MBP134 como infusão única e remdesivir ao longo de 10 dias de terapia intravenosa.

O ensaio é patrocinado pela OMS e coordenado pelo Institut National de Recherche Biomédicale (INRB) na RDC, pelo Instituto de Medicina Tropical da Bélgica e pela Universidade de Oxford, em colaboração com parceiros internacionais de pesquisa, clínicos e humanitários, com apoio dos Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças. O desenho do ensaio permite a adição de outros tratamentos potenciais se estes se tornarem disponíveis. Um resultado provavelmente exigirá o recrutamento de 700 a 1.000 pacientes, e autoridades da OMS afirmaram que remdesivir e MBP134 suficientes foram doados para 1.200 pacientes.

Os pacientes inscritos no ensaio receberão cuidados de suporte padrão, incluindo reposição de fluidos, oxigenoterapia, controle da pressão arterial e alívio da dor, além de monitoramento médico rigoroso por pelo menos 28 dias. O ensaio clínico randomizado controlado está aberto a pacientes de todas as idades com doença do vírus Bundibugyo confirmada.

A OMS convocou vários grupos consultivos de especialistas para avaliar medicamentos potenciais para a cepa Bundibugyo. Eles recomendaram que todos os produtos candidatos identificados sejam usados exclusivamente em ensaios clínicos, a fim de gerar dados robustos e garantir pesquisa segura, ética e eficaz. Para o tratamento, os especialistas recomendaram priorizar três terapias candidatas: os anticorpos monoclonais MBP134 e Maftivimab, e o antiviral remdesivir. O uso de terapia combinada envolvendo um anticorpo monoclonal e remdesivir também está sendo considerado para avaliação.

O Maftivimab, desenvolvido pela Regeneron, é o anticorpo neutralizante mais potente incluído no Inmazeb, um coquetel de três anticorpos aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos para o tratamento do ebolavírus Zaire. O Maftivimab demonstrou ampla atividade in vitro contra múltiplas espécies de Ebola, incluindo Bundibugyo, mas ainda não foi testado in vivo como monoterapia contra esse vírus distinto. Em setembro de 2025, a Regeneron doou 500 doses de Inmazeb à OMS para uso exclusivo pelos governos de países de baixa e média-baixa renda com maior risco de surtos de Ebola. O suprimento de Inmazeb já está no terreno na RDC.

Para prevenção, o antiviral oral obeldesivir foi priorizado para profilaxia pós-exposição entre contatos de casos confirmados e prováveis. O candidato a vacina mais promissor é a vacina monodose rVSV Bundibugyo, que pode levar de sete a nove meses para estar pronta para ensaios clínicos. Outro candidato a vacina, o ChAdOx1 Bundibugyo, desenvolvido pela Universidade de Oxford e pelo Serum Institute of India, pode estar disponível para avaliação em dois a três meses. A empresa de biotecnologia americana Moderna também está trabalhando em uma vacina baseada em mRNA contra o Bundibugyo.

A única imunização aprovada contra o Ebola é a Ervebo, da Merck & Co., que tem como alvo a cepa Zaire, a mais comum do vírus. A OMS afirmou que a Ervebo não é aprovada para a cepa Bundibugyo e que as evidências de sua eficácia contra essa variante permanecem limitadas e inconclusivas. A OMS recomendou que a Ervebo seja usada apenas em contextos de pesquisa cuidadosamente desenhados para avaliar sua eficácia potencial.

A recomendação de que os medicamentos sejam limitados a ensaios pode enfrentar resistência. Os EUA já planejam disponibilizar anticorpos monoclonais para americanos que forem infectados, com tratamentos disponíveis em uma instalação no Quênia para tratar americanos expostos ao vírus, de acordo com um funcionário da Casa Branca.

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References

  1. Experimental treatment trial for Ebola patients begins in Congo - NewsBytes · newsbytesapp.com
  2. WHO Launches Trial For Bundibugyo Ebola Treatment - The Whistler Newspaper · thewhistler.ng
  3. Vaccines and treatments being developed for Ebola outbreak - BGNES · bgnes.com
  4. Bundibugyo Ebola Outbreak Crosses 1000 Suspected Cases · idse.net
  5. WHO recommends clinical trials for Ebola treatments amid Bundibugyo outbreak · channelafrica.co.za
  6. WHO advisers recommend Ebola drugs be limited to clinical trials only - Business Standard · business-standard.com
  7. Ebola drugs should be limited to trials, WHO advisers say | World - Union-Bulletin · union-bulletin.com
  8. Regeneron's Ebola Antibody Recommended by World Health Organization for ... · investor.regeneron.com
  9. Ebolavirus: A Deadly Threat to Be Aware of, But Not Panic About · ram-hosp.co.th
  10. Ebola Virus Competitive Landscape Report 2026: - GlobeNewswire · globenewswire.com