SEC mira vazamentos acidentais de informações privilegiadas em casos envolvendo aprovação da FDA e fusão

A SEC está processando casos de insider trading envolvendo vazamentos acidentais de MNPI, incluindo um primo que negociou com base em notícias confidenciais de aprovação da FDA e um familiar que tinha acesso ao espaço de trabalho durante uma aquisição.

A Securities and Exchange Commission (SEC) dos EUA continua a apresentar ações de fiscalização de insider trading envolvendo vazamentos acidentais de informações materiais não públicas (MNPI), incluindo casos em que familiares negociaram com base em detalhes confidenciais sobre a aprovação de um medicamento pela FDA e uma aquisição pendente. O insider trading continua a ser uma área-chave de foco na atual SEC, mesmo com a diminuição da atividade geral de fiscalização.

Funcionários com acesso a MNPI continuam se encontrando em situações em que divulgam involuntariamente ou permitem que informações confidenciais cheguem a um parente, amigo ou parceiro romântico, e que esse destinatário posteriormente use essas informações para negociar. Nesses casos, os insiders raramente têm a intenção de violar a lei, mas ainda assim podem enfrentar graves acusações civis ou criminais por violações de insider trading, além de investigações governamentais caras e invasivas e danos à reputação. Os casos recentes destacam os riscos contínuos de deixar o espaço de trabalho exposto, atender uma chamada sem fones de ouvido e divulgar informações confidenciais para aqueles com quem você se sente mais à vontade.

Dois dos casos recentes de insider trading da SEC envolveram familiares que negociaram com base em MNPI de um insider. No primeiro caso, um primo negociou com base em MNPI que aprendeu com uma insider que fazia parte da equipe de vendas de uma desenvolvedora de biofármacos e trabalhava no lançamento de marketing de um medicamento em antecipação à sua aprovação pela FDA. A queixa da SEC observou que eles eram “familiares que compartilhavam um relacionamento pessoal próximo” e “se comunicavam várias vezes por semana, às vezes várias vezes ao dia — por mensagem de texto, ligações telefônicas e encontros presenciais”. O primo, um trader aposentado, começou a comprar títulos da empresa no mesmo mês em que a insider começou a trabalhar lá. O primo era conhecido entre os amigos como o “cara das ações” e fornecia dicas de ações a um amigo, o que levou esse amigo a também comprar ações da empresa no mesmo mês em que a insider começou a trabalhar lá.

Apesar das obrigações de confidencialidade da insider, ela compartilhou MNPI sobre a aprovação da FDA com o primo antes que a informação se tornasse pública, inclusive em duas ligações telefônicas nos dois dias entre saber da aprovação da FDA e o anúncio público. Após cada ligação, o primo imediatamente comprou ações adicionais. O primo comprou aproximadamente 16.480 ações, vendendo-as posteriormente por aproximadamente US$ 9.200 em lucros ilegais. Por esse lucro modesto, o primo foi proibido de violar as leis de valores mobiliários e ordenado a pagar indenização civil em dinheiro, com o valor ainda a ser determinado. O primo também se declarou culpado de uma acusação de fraude de valores mobiliários na ação criminal paralela. A insider não foi acusada, mas foi uma parte significativa da investigação mais ampla.

O segundo caso envolveu uma aquisição e uma insider que trabalhava no departamento jurídico da empresa-alvo e morava com um dos réus, que é um familiar. De acordo com a queixa da SEC, tanto a insider quanto o familiar trabalhavam remotamente e “tinham estações de trabalho separadas a poucos metros de distância”, dando ao familiar acesso ao espaço de trabalho da insider. Devido à aquisição pendente, a insider teve que trabalhar no fim de semana, inclusive participando de videochamadas altamente confidenciais, e teve que cancelar planos com o familiar. A SEC observou que o horário de trabalho da insider anteriormente envolvia apenas o horário comercial normal durante a semana; a aquisição pendente exigia que a insider trabalhasse à noite e nos fins de semana pela primeira vez desde que ingressou na empresa.

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