Patentes e Concorrência: FTC Questiona Caso da J&J enquanto Tribunal Turco Esclarece Limites das Patentes Farmacêuticas

O FTC dos EUA está questionando uma decisão judicial envolvendo a aquisição de patentes da Stelara pela Johnson & Johnson, argumentando que isso poderia enfraquecer a aplicação da legislação antitruste no setor farmacêutico. Em separado, o Tribunal de Cassação da Turquia decidiu que titulares de patentes que entram com ações por infração e enviam cartas de advertência a terceiros estão exercendo direitos legítimos de patente, rejeitando uma ação por concorrência desleal movida por uma empresa genérica.

A Comissão Federal de Comércio (FTC) dos EUA instou um tribunal de apelações federal a reexaminar a maneira como o tribunal inferior lidou com as alegações antitruste relacionadas à aquisição de direitos de patente pela Johnson & Johnson vinculados ao seu medicamento de sucesso Stelara, argumentando que a decisão poderia enfraquecer a aplicação da lei contra condutas que supostamente preservam monopólios farmacêuticos. Enquanto isso, na Turquia, o Tribunal de Cassação emitiu uma decisão esclarecendo a fronteira entre o exercício legítimo dos direitos de patente e a concorrência desleal em disputas entre empresas farmacêuticas de medicamentos de referência e genéricas.

O questionamento do FTC centra-se na aquisição de direitos de patente relacionados à Stelara pela J&J e se a abordagem do tribunal inferior aborda adequadamente a conduta anticompetitiva em transações de patentes farmacêuticas. A Comissão argumentou que a decisão sob revisão poderia minar os esforços de aplicação da lei visando práticas que preservam monopólios no mercado de medicamentos.

Em uma questão separada, mas tematicamente relacionada, o Tribunal de Cassação da Turquia, em uma decisão de maio de 2025, abordou se as ações de um titular de patente — especificamente, a propositura de uma ação por infração de patente e o envio de uma carta de advertência a um fabricante por contrato de terceiros — poderiam constituir concorrência desleal. O caso envolvia uma empresa farmacêutica de medicamento de referência que havia processado uma empresa genérica por infração de patente, enquanto a fabricação do produto genérico era realizada por um fabricante por contrato separado, que não fazia parte do litígio.

Durante os procedimentos, o titular da patente enviou uma carta de advertência ao fabricante por contrato, detalhando o escopo da patente e a existência do processo judicial pendente, solicitando que os direitos de patente fossem respeitados. A carta não continha declarações falsas ou enganosas sobre o resultado potencial do caso. Após revisar evidências, incluindo dossiês de autorização de comercialização de genéricos e um relatório pericial, o titular da patente concluiu que o produto genérico não se enquadrava no escopo da patente e solicitou o encerramento do processo. A ação por infração de patente foi eventualmente arquivada sem uma medida cautelar, e essa decisão tornou-se definitiva.

A empresa genérica então ingressou com uma ação separada por concorrência desleal, alegando que a ação por infração de patente e a carta de advertência a impediram de colocar seu produto no mercado e fizeram com que perdesse a oportunidade de ser a primeira empresa genérica a entrar no mercado. Um tribunal inferior inicialmente decidiu a favor da empresa genérica, determinando que, embora a carta de advertência contivesse informações factualmente precisas, ela criou a impressão de que uma medida cautelar poderia ser concedida, levando o fabricante por contrato a suspender a produção. O tribunal considerou que isso violou o princípio da boa-fé previsto no artigo 54(2) do Código Comercial Turco e concedeu danos não patrimoniais por danos à reputação.

O Tribunal de Cassação reverteu essa decisão, sustentando que a propositura de uma ação por infração de patente e a notificação a terceiros sobre ela estão dentro do escopo dos direitos de patente e não podem, por si só, ser caracterizadas como concorrência desleal. O tribunal determinou que a carta de advertência não afirma que a infração de patente foi definitivamente estabelecida, não criou uma impressão falsa ou enganosa de que uma medida cautelar já havia sido concedida e forneceu informações precisas e objetivas sobre os procedimentos em andamento. A carta não poderia ser considerada falsa, enganosa ou depreciativa em sua natureza.

Após a decisão do Tribunal de Cassação, o caso foi devolvido ao tribunal de primeira instância, que, em novembro de 2025, julgou improcedente a ação por concorrência desleal. A decisão consolidou o escopo do princípio da boa-fé conforme aplicado à aplicação dos direitos de patente, estabelecendo que o exercício dos direitos de patente — incluindo a notificação a terceiros sobre processos de infração — é lícito, desde que as comunicações sejam verdadeiras e precisas.

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References

  1. FTC Challenges Court's Approach to Johnson & Johnson Patent Acquisition in Antitrust Case · pymnts.com
  2. Case: Patents /Procedure (P.T.A.B.) - Bloomberg Law News · news.bloomberglaw.com
  3. Unfair competition action dismissed following Court of Cassation ruling cementing scope of ... · iam-media.com