FDA passa a adotar um estudo pivotal mais evidências confirmatórias para a maioria dos novos medicamentos
O FDA afirmou que um estudo pivotal acompanhado de evidências confirmatórias passará a ser o padrão para a aprovação da maioria dos novos medicamentos. A mudança pode se estender além das doenças raras e alcançar condições comuns que afetam milhões de pessoas.
O FDA anunciou, por meio de um Sounding Board no New England Journal of Medicine, que um estudo pivotal, acompanhado de evidências confirmatórias, será o padrão padrão para a aprovação da maioria dos novos medicamentos. A agência argumenta que a ciência moderna é mais precisa e que biomarcadores e abordagens bayesianas podem complementar a replicação tradicional, enquanto críticos afirmam que a mudança arrisca apostar a saúde pública em um único desempenho.
Por décadas, a expectativa de que novos medicamentos demonstrassem eficácia em dois estudos clínicos independentes, adequados e bem controlados serviu como uma salvaguarda simples: replicar o achado antes de expor os pacientes. A norma dos dois estudos remonta às reformas do início da década de 1960, quando o Congresso exigiu investigações adequadas e bem controladas antes da aprovação de medicamentos. Um resultado positivo pode ocorrer ao acaso, enquanto dois estudos independentes com resultados convergentes reduzem o risco de falsos positivos.
O FDA disse que dois estudos podem fornecer falsa segurança se falhas de desenho persistirem e argumentou que reduzir a exigência padrão diminuirá os custos de desenvolvimento, encurtará o tempo até o mercado e estimulará a inovação. A justificativa é que a ciência moderna é mais precisa, os mecanismos são mais bem compreendidos e dados de suporte podem substituir a replicação. Críticos respondem que mecanismo não é desfecho, e que melhorias em valores laboratoriais ou marcadores substitutos não necessariamente se traduzem em maior sobrevida, menos hospitalizações ou melhor qualidade de vida.
Mais da metade das aprovações recentes se baseou em um único estudo pivotal mais evidências de suporte, especialmente em oncologia e doenças raras, e a autoridade legal para aprovação com um único estudo existe desde 1997. Mas aprovações com um único estudo frequentemente trataram de necessidades urgentes não atendidas, incluindo cânceres avançados ou doenças raras, em que grandes estudos de replicação podem ser impraticáveis, e muitas foram aprovações aceleradas com estudos confirmatórios exigidos após a comercialização.
A nova política estende o padrão de um estudo além desses contextos e agora pode se aplicar a medicamentos para condições comuns, como hipertensão, diabetes e doença psiquiátrica, às quais milhões de pessoas serão expostas. O artigo afirmou que o cálculo de risco muda quando o denominador não é de 5.000 pacientes, mas 50 milhões.
Defensores argumentam que eliminar um segundo estudo pivotal, que frequentemente custa US$ 30 milhões a US$ 150 milhões, reduzirá o tempo e a despesa de desenvolvimento. Mas o artigo afirmou que há pouca evidência histórica de que economias em pesquisa e desenvolvimento cheguem de forma confiável aos pacientes, enquanto o custo potencial do erro permanece substancial.
O FDA associou a mudança a promessas de vigilância aprimorada pós-comercialização e coleta de dados do mundo real, mas o artigo afirmou que o monitoramento pós-mercado tem sido desigual e que os sistemas de eventos adversos são incompletos e sujeitos a viés. O texto também apontou para um problema mais amplo de reprodutibilidade, observando que estudos únicos, mesmo os estatisticamente significativos, muitas vezes não se replicam e que é a replicação que permite à ciência separar sinal de acaso, particularmente quando milhões de pacientes podem, em última instância, ser expostos.