FDA nega aprovação acelerada de bitopertin para EPP e aguarda resultados de estudo de Fase 3

A FDA emitiu uma Complete Response Letter para o New Drug Application de bitopertin em protoporfiria eritropoiética, reconhecendo que o fármaco reduz o PPIX livre de metal no sangue total. No entanto, a agência exigiu os resultados do estudo de Fase 3 APOLLO para demonstrar benefício clínico antes de decidir pela aprovação.

A U.S. Food and Drug Administration emitiu uma Complete Response Letter em 13 de fevereiro de 2026 para o New Drug Application de bitopertin como tratamento para pacientes com protoporfiria eritropoiética (erythropoietic protoporphyria, EPP). O bitopertin estava em análise para aprovação acelerada e como parte do programa-piloto Commissioner's National Priority Voucher.

A aprovação acelerada depende de haver evidências de efeito sobre o desfecho substituto proposto (variação percentual do PPIX livre de metal no sangue total) e de o desfecho substituto proposto, incluindo a magnitude da mudança, ser razoavelmente provável de predizer um benefício clínico. No primeiro ponto, a FDA concordou que AURORA e BEACON forneceram evidências suficientes de que o bitopertin reduz de forma significativa o PPIX livre de metal no sangue total. No segundo, com base na revisão dos resultados de AURORA e BEACON, a FDA concluiu que os estudos não mostraram evidências de associação entre a variação percentual do PPIX e desfechos baseados na exposição à luz solar, conforme mensurados nos estudos, apesar da forte plausibilidade mecanística e biológica que sustenta o uso do biomarcador PPIX na protoporfiria.

A FDA indicou que os resultados do estudo APOLLO poderiam servir como evidência para apoiar uma aprovação tradicional. O estudo APOLLO é um ensaio randomizado, duplo-cego, controlado por placebo, que avalia a eficácia, a segurança e a tolerabilidade de bitopertin em participantes com EPP ou protoporfiria ligada ao X. O estudo está comparando seis meses de tratamento com bitopertin versus placebo, com os principais objetivos de avaliar a segurança da terapia, seu efeito sobre os níveis de PPIX e a quantidade de tempo sem dor que os pacientes conseguem permanecer ao sol. O estudo está recrutando pacientes com 12 anos ou mais com EPP ou protoporfiria ligada ao X em centros na Europa, nos EUA, na Austrália e no Canadá.

Uma reestimativa cega do tamanho amostral do estudo APOLLO foi realizada em janeiro e, com base na análise estatística, não foram necessárias modificações no tamanho da amostra. Houve grande entusiasmo de pacientes e médicos em torno do estudo APOLLO, o que permitiu à Disc concluir o recrutamento em março de 2026, vários meses antes do previsto. Os dados principais (topline) são esperados no Q4 2026.

A empresa planeja solicitar uma reunião Type A para revisar sua abordagem com a FDA. Após a conclusão do APOLLO, a Disc apresentaria então uma resposta à CRL e esperaria uma decisão atualizada da FDA até meados de 2027.

Bitopertin é um inibidor investigacional, em estágio clínico, de administração oral, do transportador de glicina 1 (GlyT1), desenvolvido para modular a biossíntese do heme. O GlyT1 é um transportador de membrana expresso em hemácias em desenvolvimento e é necessário para fornecer glicina suficiente para a biossíntese do heme e sustentar a eritropoiese. A Disc está desenvolvendo bitopertin como um potencial tratamento para uma gama de doenças hematológicas, incluindo porfirias eritropoiéticas, nas quais pode vir a ser a primeira terapia modificadora da doença.

O bitopertin foi estudado em múltiplos ensaios clínicos em pacientes com EPP, incluindo o estudo de Fase 2 aberto BEACON, o estudo de Fase 2 duplo-cego, controlado por placebo AURORA, o estudo de extensão aberto HELIOS e o estudo confirmatório de Fase 3 duplo-cego, controlado por placebo APOLLO. O bitopertin é um agente investigacional e não está aprovado para uso como terapia em nenhuma jurisdição no mundo. A Disc obteve os direitos globais de bitopertin por meio de um acordo de licenciamento com a Roche em maio de 2021.

A EPP é um distúrbio metabólico raro e hereditário, marcado por fotossensibilidade severa, imediata e dolorosa, frequentemente iniciando na infância. Nessa população de pacientes, a deficiência da enzima ferroquelatase resulta no acúmulo de protoporfirina, o que se manifesta por queimação intensa, coceira e inchaço após exposição à luz solar.

A Disc Medicine tinha aproximadamente US$ 791 milhões em 31 de dezembro de 2025 em caixa não auditado, equivalentes de caixa e títulos negociáveis e mantém a projeção de ter recursos até 2029. A empresa realizará uma teleconferência para investidores às 8h ET na terça-feira, 17 de fevereiro, para discutir esse resultado.

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References

  1. FDA denies accelerated approval of bitopertin, awaits trial results - Porphyria News · porphyrianews.com
  2. Disc Medicine Receives Complete Response Letter from FDA for Bitopertin for the Treatment of EPP · finviz.com
  3. FDA Issues Complete Response Letter to Bitopertin For Erythropoietic Protoporphyria · www.hcplive.com
  4. Disc Medicine Receives Complete Response Letter from FDA for Bitopertin for the Treatment of EPP · www.theglobeandmail.com
  5. Disc Medicine Receives Complete Response Letter from FDA for Bitopertin for the Treatment of EPP · www.stocktitan.net