FDA rejeita bitopertin da Disc Medicine para doença sanguínea rara em programa de revisão acelerada
A FDA recusou aprovar o bitopertin da Disc Medicine para protoporfiria eritropoiética em 13 de fevereiro de 2026, afirmando que não houve evidência suficiente de que reduções do biomarcador se traduzam em benefício clínico. A empresa deve buscar a via tradicional de aprovação, com base nos dados de Fase 3 do estudo APOLLO esperados para o 4º trimestre de 2026.
Disc Medicine informou na sexta-feira que a U.S. Food and Drug Administration (FDA) recusou aprovar seu medicamento bitopertin para tratar um distúrbio genético raro, fazendo suas ações caírem 21%, com quedas adicionais no after-market que chegaram a 31,6%, para US$ 48,90. A FDA emitiu uma Complete Response Letter em 13 de fevereiro de 2026, rejeitando o pedido de aprovação acelerada da companhia para bitopertin em protoporfiria eritropoiética (erythropoietic protoporphyria) por preocupações de que reduções de protoporfirina IX não haviam sido demonstradas como capazes de prever de forma confiável um benefício clínico.
O medicamento estava sendo avaliado no âmbito do programa de national priority voucher da FDA, que acelera o processo para um a dois meses, a partir do padrão típico de 10 a 12 meses. Esta é a primeira vez que a agência recusou um medicamento submetido por meio do programa recém-implementado, criado para acelerar as análises regulatórias. Em dezembro, a FDA havia aprovado anteriormente um antibiótico genérico pelo mesmo programa de revisão acelerada.
A empresa estava testando bitopertin como tratamento para protoporfiria eritropoiética, um distúrbio do sangue que torna os pacientes extremamente sensíveis à luz solar. A condição leva ao acúmulo de protoporfirina no sangue, resultando em sensibilidade extrema ao sol, o que pode causar reações cutâneas dolorosas. A protoporfiria eritropoiética é um distúrbio metabólico genético raro causado por deficiência da enzima ferroquelatase, tendo como principal sintoma a hipersensibilidade da pele à luz solar.
A Disc disse que a agência concluiu que os dois ensaios de fase intermediária não mostraram uma ligação clara entre a redução dos níveis de protoporfirina dos pacientes e a tolerância à luz solar. Os revisores adiaram a análise de bitopertin em duas semanas devido a preocupações com os dados do estudo e com o risco de abuso. O atraso ocorreu por preocupações da agência sobre se o tempo ao sol sem dor — um objetivo secundário do estudo — era uma medida de eficácia estatisticamente sólida, ou se outros dados de biomarcadores poderiam justificar a aprovação.
A FDA solicitou evidências adicionais de desfechos clínicos, indicando que quer ver os resultados do ensaio de Fase 3 APOLLO em andamento e dados de segurança atualizados antes de reconsiderar. A empresa afirmou na sexta-feira que a questão levantada pelo regulador é “facilmente solucionável”, pois espera os resultados de seu estudo de fase avançada em andamento no quarto trimestre.
Em 17 de fevereiro de 2026, a Disc Medicine planejou uma teleconferência para tratar da Complete Response Letter, levando a companhia a priorizar a conclusão do recrutamento (enrollment) do APOLLO até março de 2026 e a divulgar dados principais (topline) no quarto trimestre de 2026 para uso em uma nova submissão. A Disc Medicine disse na terça-feira que seguirá uma via tradicional de aprovação nos EUA para seu medicamento para doença rara após a Food and Drug Administration recusar aprovar o tratamento no novo programa de revisão acelerada.
A Disc pretende responder à carta de rejeição da FDA assim que o estudo de fase avançada for concluído e espera uma decisão atualizada da FDA até meados de 2027. Para uma nova submissão, a Disc precisará conduzir um estudo adequado e bem controlado que utilize desfechos clínicos para mensurar a eficácia de bitopertin.
O CEO disse que o debate de políticas sobre aprovação acelerada se estendeu por múltiplas administrações dos EUA, e decisões regulatórias recentes sugerem uma visão cada vez mais rigorosa sobre quando tais aprovações são apropriadas. A decisão se soma a evidências de turbulência interna na agência e de uma mudança significativa nos padrões de aprovação para terapias de doenças raras. A rejeição não é o fim do mundo para a Disc, já que o estudo de fase avançada, se positivo, deve sustentar a aprovação plena.
A posição da FDA reforça uma exigência maior de evidências para aprovação, potencialmente atrasando a entrada de bitopertin no mercado, mas esclarecendo o caminho regulatório e dando maior ênfase aos desfechos coprimários do APOLLO que conectam reduções de biomarcadores a melhorias na tolerância à luz solar. Para investidores e pacientes, o resultado do APOLLO tornou-se um ponto de inflexão decisivo para o programa de EPP da Disc e para seu posicionamento mais amplo na hematologia de doenças raras, já que dados bem-sucedidos podem tanto atender aos reguladores quanto validar a abordagem da companhia baseada em biomarcadores.
Disc Medicine, Inc. é uma empresa biofarmacêutica focada no desenvolvimento de tratamentos para doenças hematológicas, incluindo distúrbios raros como a protoporfiria eritropoiética. Seu pipeline inclui bitopertin e outros candidatos como DISC-0974 e DISC-3405, voltados a condições graves relacionadas ao sangue para as quais há opções terapêuticas existentes limitadas.