Terapia térmica a laser combinada com imunoterapia prolonga a sobrevida em pacientes com câncer cerebral
Um ensaio clínico combinando a terapia térmica intersticial a laser (LITT) com pembrolizumab mostrou um aumento marcante da sobrevida em pacientes com astrocitoma de alto grau recorrente. Quase metade dos pacientes tratados estava viva aos 18 meses, enquanto no grupo controle cirúrgico não houve sobreviventes nesse marco.
Pacientes com astrocitoma de alto grau recorrente — um câncer cerebral agressivo e geralmente fatal — costumam ter uma janela de sobrevida de apenas 4 a 5 meses. No entanto, um ensaio clínico inovador demonstrou um enorme salto na sobrevida ao combinar a terapia térmica intersticial a laser (Laser Interstitial Thermal Therapy, LITT) com o medicamento de imunoterapia pembrolizumab.
Em um ensaio clínico de Fase 1/2b, os pesquisadores combinaram um procedimento minimamente invasivo que usa calor de laser tanto para destruir o tecido tumoral quanto para romper a barreira hematoencefálica, com pembrolizumab. Os resultados, publicados na Nature Communications, foram impressionantes. Quase metade dos pacientes tratados com terapia térmica intersticial a laser (LITT), seguida de pembrolizumab, ainda estava viva aos 18 meses. Em comparação, nenhum dos pacientes que recebeu o tratamento convencional de cirurgia seguida de pembrolizumab estava vivo no marco de 18 meses.
Além disso, mais de um terço dos pacientes tratados com LITT e o inibidor de checkpoint imune viveu mais de 3 anos, superando em muito a sobrevida típica de 4 a 5 meses de pacientes com astrocitoma de alto grau recorrente.
O estudo envolveu 45 pacientes com câncer recorrente em estágio avançado, demonstrando que a combinação é tanto segura quanto notavelmente eficaz. O astrocitoma de alto grau, que inclui o glioblastoma, é um câncer cerebral agressivo e de crescimento rápido que frequentemente retorna após a remoção do tumor, o que dificulta o tratamento.
Inibidores de checkpoint imune, medicamentos que permitem que o próprio sistema imunológico do corpo, em especial os linfócitos T que combatem o câncer, reconheça, encontre e ataque as células tumorais, podem ajudar a impedir a recorrência do câncer em muitas partes do corpo. No entanto, esses fármacos geralmente não são eficazes em cânceres cerebrais como o astrocitoma devido à barreira hematoencefálica — uma camada de células bem selada que atua como um limite protetor entre o cérebro e a corrente sanguínea. Como essa barreira é tão eficiente, ela também limita a capacidade de células imunes, incluindo os linfócitos T que combatem o câncer, de entrar no cérebro e alcançar o tumor.
Os pesquisadores basearam o estudo em achados anteriores mostrando que o calor produzido pela LITT pode interromper a barreira hematoencefálica por várias semanas, tempo suficiente para que os linfócitos T detectem e atinjam as células cancerosas depois de serem ativados por um inibidor de checkpoint imune.
Durante o ensaio, os participantes receberam LITT ou cirurgia/biópsia e, em seguida, pembrolizumab. Para aqueles que receberam LITT, neurocirurgiões utilizaram ressonância magnética (MRI) para localizar o tumor no cérebro, guiar a sonda de LITT até o tumor e então aplicar calor a laser de forma precisa no tumor. O calor destrói o tumor enquanto os cirurgiões trabalham para garantir que nenhum tecido cerebral saudável seja danificado; e, como um subproduto, o calor interrompe a barreira hematoencefálica.
Uma vez que os pacientes recebem o inibidor de checkpoint imune, essa interrupção permite que materiais do tumor atravessem a barreira hematoencefálica e entrem no sangue. Isso alerta os linfócitos T para a presença do tumor e oferece uma passagem facilitada para que esses linfócitos T entrem rapidamente, encontrem e ataquem o câncer.