Avanços no câncer de próstata: estudo com opaganib, relação entre idade e mortalidade e ferramentas de IA para detecção

Pesquisas recentes sobre câncer de próstata incluem um estudo de Fase 2 com opaganib na doença avançada, um estudo SEER relacionando idade avançada a maior mortalidade em metástases ósseas exclusivas, e ferramentas de IA e genéticas que melhoram a detecção.

Novas pesquisas estão remodelando o cuidado do câncer de próstata por meio de avanços na detecção, no tratamento combinado para doença avançada e no refinamento do prognóstico. Um estudo de Fase 2 testou o medicamento experimental opaganib em conjunto com terapias padrão em homens com câncer de próstata metastático resistente à castração, enquanto um estudo da base de dados SEER com mais de 11.000 pacientes mostrou que a idade avançada aumenta de forma independente a mortalidade específica por câncer no câncer de próstata metastático ósseo exclusivo. Estudos adicionais avaliaram o uso de inteligência artificial em fluxos de trabalho de patologia e escores de risco poligênico para triagem por ressonância magnética.

O estudo multicêntrico de Fase 2, liderado por pesquisadores da Medical University of South Carolina (MUSC) e da Emory University e publicado na Cancer Medicine, envolveu 66 pacientes cujo câncer já havia progredido com terapias hormonais padrão. Os pacientes receberam opaganib em combinação com abiraterona ou enzalutamida. Cerca de 15% dos pacientes que tomaram opaganib com abiraterona e 9% dos que tomaram com enzalutamida apresentaram controle da doença em 16 semanas, ficando aquém do objetivo principal do estudo. No entanto, um subgrupo de pacientes mostrou sinais biológicos claros de resposta, incluindo quedas nos níveis de antígeno prostático específico (PSA) e períodos de estabilização da doença. O tratamento combinado foi, em geral, administrável, com a maioria dos efeitos colaterais entre leves e moderados; alguns pacientes tiveram efeitos colaterais mais graves, mas a maioria melhorou quando a dose do medicamento foi reduzida ou suspensa. Opaganib, uma terapia inovadora de primeira classe, bloqueia uma via envolvida no metabolismo de esfingolipídeos em vez de ter como alvo os hormônios. Os pesquisadores agora planejam procurar biomarcadores em amostras de sangue que possam prever a resposta.

Em um estudo de coorte retrospectivo, de base populacional, utilizando dados do SEER de 2010 a 2022, os pesquisadores avaliaram 11.098 homens diagnosticados com câncer de próstata metastático ósseo exclusivo, dos quais 48,2% tinham 70 anos ou mais. A mortalidade específica por câncer em cinco anos aumentou progressivamente com o avanço da idade, de 50,2% em pacientes com menos de 50 anos para 64,8% naqueles com 80 anos ou mais (p < 0,001). Na análise multivariada, a idade avançada permaneceu independentemente associada a maior mortalidade específica por câncer (≥80 anos: subdistribution hazard ratio 1,78; IC 95% 1,45–2,19). Raça/etnia negra não hispânica, estado civil solteiro, PSA elevado e um maior grau da International Society of Urological Pathology (ISUP) surgiram como preditores adversos. A prostatectomia radical foi associada a menor mortalidade específica por câncer, enquanto radioterapia e quimioterapia foram associadas a maior mortalidade específica por câncer na coorte geral. Os autores concluíram que a carga tumoral, o grau patológico e a alocação do tratamento afetam conjuntamente as disparidades de sobrevida relacionadas à idade.

Dois estudos sobre inteligência artificial relataram melhorias diagnósticas práticas. Em um estudo retrospectivo que abrangeu três centros europeus, um modelo de IA específico para a tarefa, testado em lâminas padrão de H&E que anteriormente exigiam imuno-histoquímica (IHC) para esclarecimento, alcançou valores de área sob a curva de até 0,993 e, quando foram aplicados limiares priorizando a sensibilidade, não ocorreram falsos negativos. O uso geral de IHC caiu de 20% a 44%, com reduções que chegaram a 81% entre casos benignos. Um estudo separado apresentou o primeiro sistema de IA validado de forma abrangente para detecção automatizada de morfologia cribriforme no câncer de próstata. O modelo alcançou uma área sob a curva de 0,97 internamente e 0,90 externamente e, na comparação direta com nove uropatologistas especialistas, o algoritmo mostrou a maior concordância média pareada. A morfologia cribriforme define um fenótipo letal de câncer de próstata que exclui os pacientes da vigilância ativa.

Um estudo prospectivo acompanhou 386 homens de ascendência europeia ocidental para avaliar se escores de risco poligênico poderiam refinar a triagem antes da ressonância magnética. O escore de risco poligênico para câncer de próstata mostrou associação significativa com achados positivos na ressonância magnética, com odds ratio de 1,56, enquanto o PSA isoladamente não mostrou. Quando a idade foi combinada ao escore de risco poligênico, a proporção de homens com achados suspeitos subiu de 46% para 60% em comparação com a seleção baseada apenas em PSA.

O estudo prospectivo IMPACT acompanhou 3.063 homens de 40 a 69 anos ao longo de cinco rodadas anuais de rastreamento. Entre portadores da mutação BRCA2, a incidência de câncer de próstata clinicamente significativo foi notavelmente maior do que em não portadores: 3,1% versus 1,3%. Notavelmente, portadores de BRCA1 apresentaram uma proporção muito maior de tumores intermediários desfavoráveis ou de alto risco, 56% em comparação com 18%, apesar de taxas de incidência geral semelhantes. A progressão de grau na prostatectomia radical ocorreu apenas em portadores. Esses resultados sugerem que portadores de BRCA1 também devem ser considerados para rastreamento sistemático. Outro estudo constatou que alterações genômicas patogênicas no DNA tumoral circulante predizem a sobrevida global em homens com câncer de próstata metastático resistente à castração.

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References

  1. New Advances in Prostate Cancer Detection and Management - SYNLAB · synlab.com
  2. Multi-institutional trial explores new lifeline for advanced prostate patients · news-medical.net
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