Estudo revela que efeitos colaterais de anticoncepcionais orais variam conforme o tipo de progestagênio
Um estudo com dados do FAERS e MEPS descobriu que os efeitos colaterais de anticoncepcionais orais, como acne, enxaqueca, ansiedade e depressão, variam de acordo com o tipo de progestagênio. Pílulas contendo drospirenona apresentaram maiores taxas relatadas dos quatro sintomas, enquanto a acne também foi maior com levonorgestrel e norgestimato.
Uma nova análise de dados de eventos adversos e prescrições dos Estados Unidos indica que as taxas de efeitos colaterais dermatológicos e neuropsicológicos podem diferir entre as formulações de anticoncepcionais orais. Pesquisadores analisaram relatos do FDA Adverse Event Reporting System (FAERS) e dados de prescrição do Medical Expenditure Panel Survey para comparar as taxas relatadas de acne, enxaqueca, ansiedade e depressão entre usuárias de anticoncepcionais orais comumente prescritos entre 2016 e 2020.
O estudo usou etinilestradiol/noretindrona como formulação de referência, por estar entre os anticoncepcionais orais combinados mais antigos e amplamente prescritos. As taxas de efeitos colaterais relatadas foram comparadas entre formulações contendo diferentes progestagênios, incluindo levonorgestrel, desogestrel, norgestimato e drospirenona, além de uma pílula apenas de noretindrona.
Pílulas contendo drospirenona foram associadas a taxas mais altas relatadas de acne, enxaqueca, depressão e ansiedade. A acne também foi mais relatada com pílulas de levonorgestrel e norgestimato, e a ansiedade foi maior com pílulas combinadas de levonorgestrel e com noretindrona isolada. No geral, as taxas de depressão relatadas foram baixas na maioria das formulações, mas as pílulas contendo drospirenona apresentaram maior relato. Anticoncepcionais contendo drospirenona também foram associados a taxas mais altas relatadas de enxaqueca e depressão.
Os autores observaram que a interpretação desses padrões pode ser complicada por tendências de prescrição, incluindo a possibilidade de que certas formulações sejam preferencialmente prescritas a pacientes com condições basais específicas. Como a análise se baseou em relatos de eventos adversos pós-comercialização, os achados refletem padrões nos sintomas relatados, e não relações causais confirmadas. Os bancos de dados também careciam de informações clínicas detalhadas, impedindo o ajuste para fatores como dados demográficos dos pacientes, diferenças de dosagem ou condições de saúde subjacentes.
O estudo, publicado no Open Access Journal of Contraception, sugere que uma melhor compreensão dos padrões de efeitos colaterais específicos de cada formulação pode ajudar os médicos a adaptar a seleção de anticoncepcionais para pacientes com comorbidades dermatológicas ou de saúde mental.