Life Biosciences trata primeiro paciente com terapia genética de rejuvenescimento celular para glaucoma
A Life Biosciences tratou o primeiro paciente com ER-100, uma terapia genética de rejuvenescimento celular para glaucoma. O ensaio de Fase 1, aprovado pela FDA, avaliará a segurança em até 18 pacientes.
A Life Biosciences tratou o primeiro paciente com ER-100, uma terapia genética experimental projetada para rejuvenescer células envelhecidas do olho. A terapia, administrada a um paciente com glaucoma, entrega três edições genéticas distintas para regenerar as células ganglionares da retina no nervo óptico, que normalmente não se regeneram em adultos e podem levar à cegueira quando danificadas.
O tratamento é baseado na reprogramação celular, um conceito demonstrado pelo pesquisador japonês Shinya Yamanaka em 2007, que mostrou que certas proteínas podem redefinir células adultas para um estado semelhante ao de células-tronco. O ER-100 utiliza os fatores "OSK" (OCT4, SOX2 e KLF4), três dos quatro fatores originais de Yamanaka, para reverter parcialmente alterações epigenéticas associadas à idade. Os genes são entregues por meio de um vírus comumente usado em terapia genética e são projetados para serem ativados apenas quando o participante toma o antibiótico doxiciclina, dando aos médicos a capacidade de desligar o mecanismo se necessário.
O ensaio de Fase 1, aprovado pela FDA, inclui até 18 participantes: os 12 primeiros com glaucoma de ângulo aberto e seis com neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NAION), uma condição que causa perda súbita de visão. Os participantes serão monitorados por pelo menos cinco anos, com o objetivo principal de avaliar a segurança e não a eficácia.
Estudos em animais realizados em vários laboratórios sugeriram que a reprogramação parcial do tecido celular pode ser feita com segurança, embora persistam receios de que a terapia possa levar algumas células a um estado cancerígeno. Desde 2020, pesquisadores relataram que a ativação dos três genes causou regeneração de neurônios no nervo óptico de camundongos e reverteu a perda de visão em espécimes idosos ou afetados por glaucoma. A tecnologia foi transferida para a Life Biosciences, que posteriormente conduziu testes pré-clínicos em roedores e primatas que não revelaram efeitos adversos graves.
O CEO da empresa chamou o momento de "uma transformação potencial não apenas para a empresa e não apenas para o campo da biologia do envelhecimento, mas, sem exagero, para toda a medicina", acrescentando que a terapia visa restaurar a função dos tecidos e reverter doenças em um nível fundamental. Um cofundador e geneticista de Harvard descreveu o ensaio como "a primeira oportunidade de testar se a restauração dessa informação pode melhorar doenças humanas". Os pesquisadores alertam que o sucesso não prova necessariamente a imortalidade celular, mas a Life Biosciences também está experimentando modelos animais de doença hepática.
Transformar os fatores de Yamanaka em um medicamento exige sistemas de entrega direcionados, controle preciso da expressão gênica e protocolos de fabricação com controles adequados de potência, liberação e qualidade. O valor comercial duradouro dessas terapias dependerá das soluções de engenharia que tornam a biologia clinicamente utilizável, incluindo o sistema de entrega, os controles de expressão, o processo de fabricação, o protocolo de tratamento e a validação clínica.