Quênia desenvolve fabricação local de vacinas com plataforma de mRNA apoiada pela OMS e plano em três fases

O Quênia está construindo capacidade de fabricação local de vacinas por meio de um projeto de transferência de tecnologia de mRNA apoiado pela OMS e de uma estratégia em três fases focada em vacinas infantis. O país pretende reduzir a dependência de importações, com uma unidade de envase e acabamento (fill and finish) em Embakasi prevista para 2027 e as primeiras vacinas produzidas localmente até 2028.

O Quênia está construindo capacidade para fabricar suas próprias vacinas localmente, com o lançamento de um Projeto de Transferência de Tecnologia de mRNA da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Medicines Patent Pool (MPP) em Nairóbi, além de uma estratégia em três fases para sustentar a imunização infantil à medida que o país transita do apoio internacional.

A África produz menos de 1% das vacinas que consome, mas carrega uma parcela desproporcional da carga mundial de doenças infecciosas. Durante a pandemia de COVID-19, quando a demanda global aumentou, os países de baixa renda foram consistentemente os últimos a receber vacinas, e alguns esperaram anos enquanto as nações mais ricas garantiam múltiplas rodadas de fornecimento. O Programa de Transferência de Tecnologia de mRNA da OMS-MPP foi criado em resposta direta a essa experiência, ensinando países selecionados da África e de outras regiões de baixa e média renda a produzir suas próprias vacinas baseadas em RNA mensageiro (mRNA), usando a mesma plataforma tecnológica que se mostrou eficaz durante a pandemia.

O Quênia é um dos seis países africanos selecionados para participar do programa, que é apoiado por um consórcio sul-africano de fabricação e agora abrange 15 instituições parceiras em seis regiões da OMS em todo o mundo. Por meio do acordo, o Kenya BioVax Institute receberá treinamento e suporte técnico de ponta a ponta, cobrindo todo o processo, da pesquisa e desenvolvimento à produção de vacinas em larga escala. A infraestrutura da unidade do Instituto em Embakasi está sendo modernizada para apoiar esse trabalho, e o Kenya Medical Research Institute (KEMRI) contribuirá com sua expertise científica como parceiro-chave de pesquisa.

Na 16ª Conferência Anual Científica e de Saúde da KEMRI (KASH), um pesquisador da KEMRI e líder da equipe de pesquisa de vacinas delineou uma estratégia em três fases para garantir que o país possa atender à demanda nacional e regional por vacinas. A primeira fase, "fill and finish" (envase e acabamento), importa antígenos de vacinas a granel de fabricantes licenciados para embalagem e distribuição locais. As vacinas infantis são a prioridade, à medida que o Quênia se prepara para deixar a Gavi, a aliança global de vacinas que cofinanciou os programas de imunização. "A fase de envase e acabamento garante que nossos programas de imunização continuem sem interrupção quando o apoio da Gavi terminar", disse o pesquisador.

A segunda fase estabelecerá uma "unidade inteligente de vacinas" na Konza Technopolis, permitindo a produção local de ponta a ponta por meio de transferência de tecnologia de parceiros coreanos. Os alvos iniciais incluem vacinas conjugadas contra febre tifoide e vacinas pneumocócicas conjugadas, com planos de expandir a produção ao longo do tempo. A terceira fase foca em pesquisa e desenvolvimento, liderada pela KEMRI e por universidades locais, com candidatos a vacinas para doenças prioritárias como malária, rotavírus, Shigella e cólera a serem desenvolvidos e ampliados pelo Kenya BioVax para produção em massa.

O Quênia também está estabelecendo uma plataforma de vacinas de mRNA com apoio da OMS, o que permitirá vacinas desenvolvidas localmente contra doenças emergentes e futuras emergências de saúde. A plataforma de mRNA não se limita a uma única doença; os cientistas quenianos foram incentivados a aplicar a tecnologia a doenças que continuam afetando a região, incluindo malária, tuberculose e infecções propensas a surtos, como a febre do Vale do Rift. Caso surja uma emergência de saúde, a mesma plataforma pode ser rapidamente redirecionada para produzir uma resposta, encurtando o tempo necessário para que contramedidas eficazes cheguem às populações afetadas.

A garantia de qualidade é central para a estratégia. O Pharmacy and Poisons Board supervisiona a regulamentação de vacinas e obteve a certificação de nível 3 de maturidade da OMS para atender aos padrões internacionais, permitindo a aquisição por organizações como a UNICEF. O National Quality Control Labs também monitora a qualidade das vacinas, com esforços contínuos para fortalecer a capacidade. O acesso ao mercado continua sendo um desafio-chave, pois os países vizinhos ainda podem depender do apoio da Gavi; as autoridades estão engajando os parceiros desde o início e explorando a coordenação em todo o continente por meio da União Africana para evitar duplicação e garantir que as vacinas cheguem aos países que precisam delas.

A construção da unidade de envase e acabamento pelo Kenya BioVax em Embakasi está em andamento, com a infraestrutura de apoio, como redes de água e esgoto, concluída. O pesquisador estima que a unidade ficará pronta até 2027, com as primeiras vacinas produzidas localmente disponíveis em 2028. "A fabricação local de vacinas é essencial para evitar interrupções nos programas de imunização, garantir a segurança sanitária e apoiar o crescimento econômico", disse ele. "Essas unidades criam empregos e fortalecem a soberania farmacêutica."

O Secretário Principal de Serviços Médicos do Ministério da Saúde, que presidiu o lançamento, afirmou: "A pandemia de COVID-19 expôs nossas vulnerabilidades, destacando a necessidade de a África desenvolver sua própria fabricação. Investir na fabricação local não apenas fortalece nossos sistemas de saúde, mas também cria empregos e estimula o crescimento econômico." O líder técnico da OMS no Quênia para medicamentos essenciais acrescentou: "Quando um país pode produzir suas próprias vacinas, ele pode proteger seu próprio povo sem depender de cadeias de suprimentos externas que nem sempre são confiáveis ou acessíveis."

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References

  1. WHO Prioritizes Three Experimental Drugs to Combat Rare Ebola Strain - QRNews · qrnews.kz
  2. Kenya Builds Capacity to Produce Its Own Vaccines - WHO | Regional Office for Africa · afro.who.int
  3. Kenya to Focus on Childhood Vaccines as Local Manufacturing Plans Take Shape · healthbusiness.co.ke