Novas Pesquisas em Câncer: Inibidores de HDAC, Radiação com IA, Reprogramação de Tumores e Nanopartículas
Estudos recentes mostram avanços no tratamento do câncer: inibidores de HDAC potencializam a terapia do câncer pancreático, radiação guiada por IA atinge o glioblastoma e células tumorais reprogramadas desencadeiam imunidade antitumoral. A entrega de fármacos por nanopartículas para o câncer cerebral também está sendo explorada.
Cientistas estão relatando múltiplas novas abordagens para o tratamento do câncer, incluindo um estudo fundamental que revela como os inibidores de HDAC podem ser utilizados contra o câncer pancreático, uma estratégia de radiação guiada por IA para o glioblastoma e um método premiado que reprograma células tumorais para desencadear imunidade antitumoral. O estudo do Salk Institute, publicado em 25 de junho na Proceedings of the National Academy of Sciences, mostra que bloquear a atividade das HDACs torna as células do câncer pancreático mais vulneráveis a terapias que danificam o DNA.
Pesquisadores do Salk Institute examinaram os efeitos da entinostat, um fármaco oncológico experimental que inibe as histonas deacetilases (HDACs), em células de câncer pancreático humano e de camundongos. O câncer pancreático é a terceira principal causa de morte relacionada ao câncer nos Estados Unidos. A equipe descobriu que as HDACs ajudam a manter ativos os genes de reparo do DNA, permitindo que os tumores pancreáticos corrijam danos ao DNA e sobrevivam. Quando a atividade das HDACs foi bloqueada com entinostat, os genes de reparo do DNA foram desativados, e as células cancerígenas tornaram-se menos capazes de reparar danos ao DNA. Ao combinar entinostat com terapias que danificam o DNA, como quimioterapia e radiação, os pesquisadores tornaram esses tratamentos significativamente mais eficazes em modelos de câncer pancreático. Eles também desenvolveram um método de entrega baseado em nanopartículas que reduz os efeitos colaterais. O estudo foi financiado por bolsas de pesquisa federais dos National Institutes of Health e filantropia privada.
Separadamente, um estudo publicado em 13 de maio na Nature Communications testou uma nova forma de planejar a radiação para o glioblastoma, um câncer cerebral agressivo que afeta cerca de 12 a 14 mil pessoas nos Estados Unidos a cada ano. Os pesquisadores usaram inteligência artificial para prever onde o tumor teria maior probabilidade de voltar e concentraram radiação extra nessas áreas de alto risco, enquanto ainda tratavam o tecido cerebral circundante. O estudo acompanhou 20 pacientes com glioblastoma recém-diagnosticado e descobriu que a abordagem pôde ser administrada com segurança na prática clínica e foi associada a sobrevida mais longa em comparação com um grupo pareado de pacientes que receberam tratamento padrão. A abordagem também levou a uma taxa maior de alterações relacionadas à radiação no cérebro, que em alguns casos exigiram cuidados adicionais. O próximo passo é testar a abordagem em um estudo multicêntrico maior, por meio da rede NRG Oncology.
Em outro desenvolvimento, Fábio Rosa recebeu o Prêmio de Inovação BioInnovation Institute & Science 2026 por seu trabalho no desenvolvimento de uma imunoterapia contra o câncer que transforma tumores em suas próprias vacinas. Seu ensaio vencedor, publicado em 2 de abril na Science, apresenta uma abordagem de reprogramação imunológica de células in vivo, convertendo células tumorais em células apresentadoras de antígenos que desencadeiam ataques imunológicos de dentro. Rosa e seus colegas descobriram que um trio de fatores de transcrição reprograma células comuns em células dendríticas convencionais tipo 1 (cDC1), que são cruciais para iniciar a imunidade antitumoral. Em modelos animais, a abordagem reprogramou células tumorais no local, aumentou a infiltração de células T, expandiu células T reativas ao tumor e levou à regressão tumoral completa, especialmente quando combinada com imunoterapias existentes de bloqueio de checkpoint. Rosa e sua equipe na Asgard Therapeutics pretendem submeter um pedido de ensaio clínico em 2027.
Também na pesquisa de câncer cerebral, Michael Gomes, candidato a doutorado na Wits Advanced Drug Delivery Platform, recebeu a bolsa de 2026 do Programa de Desenvolvimento de Pesquisadores Clínicos Institucionais do Conselho de Pesquisa Médica da África do Sul (SAMRC) para avançar a pesquisa em novos sistemas de entrega de fármacos baseados em nanopartículas para o glioblastoma. Sua pesquisa compara três sistemas de nanopartículas — lipossomas, partículas à base de polímeros e nanopartículas de polidopamina — para determinar qual entrega quimioterapia aos tumores cerebrais de forma mais eficaz. O trabalho também explora se nanopartículas injetadas no líquido cefalorraquidiano podem usar o sistema glinfático para atingir os tumores mais diretamente, potencialmente aumentando as concentrações do fármaco no local do tumor e reduzindo os efeitos tóxicos. O glioblastoma é um câncer de crescimento rápido com prognóstico ruim; a maioria dos pacientes sobrevive apenas de 12 a 18 meses após o diagnóstico, e a sobrevida é frequentemente menor na África do Sul e em toda a África.