Estudos analisam risco de câncer de mama, disparidades e desfechos em populações diversas

Pesquisas recentes associam maior adesão a dietas vegetais saudáveis a menor incidência de câncer de mama e menor mortalidade em análises de coortes, embora sem comprovar causalidade. Estudos paralelos destacam disparidades relevantes no diagnóstico e na mortalidade entre mulheres negras no Canadá e descrevem desfechos e padrões de câncer de mama em mulheres jovens na América Latina.

Dados de grandes coortes internacionais sugerem que padrões alimentares com maior ênfase em vegetais e certos micronutrientes podem estar associados a menor risco de câncer de mama e melhor sobrevida, enquanto outras pesquisas destacam disparidades importantes no cuidado e nos desfechos do câncer de mama entre diferentes populações.

Em um estudo publicado na revista Frontiers in Nutrition, pesquisadores avaliaram se a adesão a dietas vegetais saudáveis e a ingestão de micronutrientes específicos estavam associadas ao risco de câncer de mama e à mortalidade entre pacientes com câncer de mama. A análise utilizou dados de duas coortes prospectivas, o UK Biobank e o Chinese Longitudinal Healthy Longevity Survey (CLHLS). A amostra do UK Biobank incluiu 67.045 indivíduos sem câncer de mama e 3.397 mulheres com câncer de mama na linha de base.

Entre as participantes do UK Biobank, maior adesão ao Healthful Plant-Based Diet Index (HPDI) foi correlacionada a menor incidência de câncer de mama e melhor sobrevida. Mulheres no tertil mais alto de HPDI tiveram 11% menos probabilidade de desenvolver câncer de mama em comparação com aquelas no tertil mais baixo. Cada aumento de um desvio-padrão no HPDI correspondeu a uma redução de 4% no risco. Entre mulheres com câncer de mama, aquelas no tertil mais alto de HPDI apresentaram 28% menor risco de mortalidade por todas as causas, e cada aumento de um desvio-padrão no HPDI foi associado a uma redução de 11% no risco de mortalidade.

Maior ingestão de cálcio, vitaminas B2 e C, magnésio e fósforo foi associada a menor risco de mortalidade, enquanto maior ingestão de sódio aumentou o risco de mortalidade. Essas associações são observacionais e não estabelecem causalidade. Dietas à base de plantas são ricas em antioxidantes, fibras e compostos bioativos que podem exercer efeitos anti-inflamatórios e anticâncer, embora esses mecanismos biológicos permaneçam hipóteses plausíveis, e não vias causais comprovadas neste estudo.

A ingestão alimentar no UK Biobank foi avaliada por meio de um recordatório de 24 horas validado, enquanto o CLHLS utilizou um questionário de frequência alimentar. As coortes diferiram substancialmente quanto à estrutura etária, etnia e abordagens de avaliação dietética, o que pode afetar a comparabilidade. O HPDI incorporou 17 grupos alimentares, atribuindo pontuações positivas a alimentos vegetais saudáveis e pontuações negativas a alimentos de origem animal e a alimentos vegetais menos saudáveis.

Uma pesquisa separada da University of Calgary examinou disparidades no cuidado do câncer de mama para mulheres negras no Canadá. Pesquisas nacionais canadenses mostram que mulheres negras têm 45% mais probabilidade do que mulheres brancas de receber diagnóstico de câncer de mama antes dos 50 anos, fora da faixa etária-alvo do rastreamento de rotina. Dados indicam que outras disparidades persistem para mulheres negras. Elas enfrentam taxas de mortalidade por câncer de mama até 70% mais altas. Cerca de 26% das mulheres negras são diagnosticadas nos estágios 3 ou 4, em comparação com 17% das mulheres brancas.

O câncer de mama é o câncer mais frequentemente diagnosticado entre as mulheres canadenses, com cerca de uma em cada oito com expectativa de desenvolvê-lo ao longo da vida. Grande parte das evidências usadas para orientar diretrizes de rastreamento de câncer de mama, ferramentas de avaliação de risco e protocolos de tratamento deriva de ensaios clínicos (clinical trials) e registros de câncer nos quais mulheres negras estão sub-representadas ou em que dados por raça não são coletados de forma consistente.

Pesquisadores da University of Calgary conduziram grupos focais com mais de 100 mulheres negras e lideranças comunitárias em Alberta. A pesquisa, financiada pela Canadian Cancer Society em parceria com o African Cancer Support Group, explorou os obstáculos que as mulheres enfrentam ao acessar o rastreamento do câncer de mama. As participantes descreveram desconfiança em relação aos profissionais de saúde, discriminação e falta de informações culturalmente relevantes sobre câncer de mama. Suposições inconscientes sobre conhecimento, tolerância à dor, idade e letramento em saúde também influenciaram as interações com os profissionais.

A Alberta Health Services recomenda mamografia de rastreamento a cada dois anos para mulheres de 45 a 74 anos sem sintomas. Mas estudos mostram que mulheres negras têm maior probabilidade de receber diagnóstico de câncer de mama em idade mais jovem, muitas vezes fora dos períodos padrão de rastreamento.

Um estudo de coorte retrospectivo multicêntrico do Uruguai avaliou características clínicas e desfechos de longo prazo em mulheres jovens com câncer de mama. O estudo incluiu mulheres de 18 a 40 anos diagnosticadas com câncer de mama invasivo entre 2006 e 2024 em dois centros públicos de referência. Ao todo, 267 pacientes foram incluídas, com idade média ao diagnóstico de 34,8 anos.

O carcinoma ductal invasivo foi a histologia predominante (85,8%), com alta proporção de tumores grau III (39,3%). O subtipo biológico mais comum foi o luminal (48,8%), seguido por HER2-positive (27,7%) e doença triplo-negativa (17,2%). A doença em estágio II foi a mais frequente (40,4%), enquanto 28,7% das pacientes apresentaram doença em estágio III. A mastectomia radical modificada foi o procedimento cirúrgico mais realizado (38,2%).

Com seguimento mediano de 52,3 meses, a sobrevida global estimada foi de 84,8% em 5 anos e 80,9% em 10 anos. Os desfechos de sobrevida diferiram significativamente conforme o estágio clínico, mas não conforme o subtipo biológico. Os achados ressaltam a importância de estratégias de detecção precoce e de acesso equitativo a cuidados baseados em diretrizes em países de renda média.

Globalmente, o câncer de mama em mulheres jovens representa aproximadamente 10-15% de todos os casos, embora essa proporção varie de acordo com a região geográfica e a estrutura etária da população. Estudos de base populacional e revisões sistemáticas relataram que 20-27% dos casos de câncer de mama na América Latina são diagnosticados em mulheres com menos de 45 anos, quase o dobro da proporção observada em países de alta renda. Registros nacionais de câncer de países como Brasil, Colômbia, Costa Rica e Equador confirmam esse padrão e descrevem um aumento progressivo tanto na incidência quanto na mortalidade entre mulheres jovens.

O câncer de mama em mulheres jovens está associado a características mais agressivas, incluindo maior prevalência dos subtipos triplo-negativo e HER2-positive, maior grau histológico, aumento da proliferação tumoral e maior proporção de doença em estágio avançado ao diagnóstico. Mulheres com menos de 40 anos apresentam pior sobrevida global e sobrevida livre de doença em comparação com pacientes mais velhas, mesmo dentro dos mesmos subtipos moleculares, com risco particularmente aumentado de recorrência em tumores com receptor hormonal positivo. Esse grupo apresenta maior prevalência de mutações germinativas em genes de predisposição ao câncer, como BRCA1 e BRCA2, ressaltando a importância de testes genéticos e de estratégias de redução de risco tanto para as pacientes quanto para suas famílias.

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References

  1. Eating more plant-based foods may lower breast cancer risk, major international study indicates · www.news-medical.net
  2. Pulmonary Tumor Thrombotic Microangiopathy in a Patient With Male Breast Cancer · www.cureus.com
  3. Research highlights disparities in breast cancer care for Black women in Canada - CBC · www.cbc.ca
  4. Clinical Characteristics and Long-Term Outcomes of Young Women With Breast Cancer · www.cureus.com