Estudos de Neurociência Revelam Mecanismos Cerebrais por Trás da Ansiedade e Comportamento Compulsivo
Dois estudos de neurociência revelam os mecanismos cerebrais por trás da ansiedade e do comportamento compulsivo. Um deles constatou que o restabelecimento do equilíbrio em um circuito da amígdala reverteu a ansiedade em camundongos, enquanto o outro mostrou que a inflamação no estriado torna o comportamento mais deliberado.
Pesquisadores identificaram mecanismos cerebrais específicos que podem subjazer à ansiedade e ao comportamento compulsivo, com novos estudos apontando potenciais alvos terapêuticos. Um estudo constatou que o restabelecimento do equilíbrio em um pequeno circuito da amígdala reverteu a ansiedade e os déficits sociais em camundongos, enquanto outro demonstrou que a inflamação cerebral pode tornar o comportamento mais deliberado, e não automático.
O primeiro estudo, publicado no periódico iScience, identificou um grupo de neurônios na amígdala que desempenha um papel central na ansiedade, em comportamentos semelhantes à depressão e no retraimento social. Os pesquisadores descobriram que a normalização da atividade nesse circuito foi suficiente para reverter comportamentos relacionados à ansiedade em camundongos. O trabalho focou na amígdala basolateral e envolveu camundongos geneticamente modificados com níveis incomumente altos do gene Grik4, que aumentou o número de receptores de glutamato GluK4 e tornou certos neurônios mais excitáveis. Os animais exibiram comportamentos semelhantes à ansiedade e ao retraimento social. Ao normalizar a atividade do gene Grik4, os cientistas restauraram a comunicação com neurônios inibitórios na amígdala centrolateral, chamados neurônios de disparo regular. O tratamento também reduziu a ansiedade em camundongos selvagens que naturalmente exibiam níveis elevados de ansiedade, sugerindo que o mecanismo pode ser um sistema mais universal para a regulação emocional.
Pesquisas separadas da University of Technology Sydney desafiam as teorias predominantes sobre o comportamento compulsivo. Publicada em Neuropsychopharmacology, a estudo sugere que a inflamação em uma região cerebral-chave para a tomada de decisão tornou o comportamento mais deliberado, e não mais automático. Cientistas haviam acreditado anteriormente que comportamentos compulsivos — observados no transtorno obsessivo-compulsivo, nos transtornos por uso de substâncias e no jogo patológico — resultavam de hábitos enraizados que superavam o autocontrole. Estudos de neuroimagem mostram que pessoas com transtornos compulsivos frequentemente apresentam inflamação no estriado. Quando os pesquisadores induziram inflamação nessa região em ratos, os animais tornaram-se mais orientados a objetivos e continuaram ajustando seu comportamento com base nos resultados, mesmo em situações em que os hábitos normalmente prevaleceriam. As alterações foram rastreadas até astrócitos, células de suporte cerebrais em forma de estrela, que se multiplicaram e perturbaram circuitos neurais adjacentes que controlam o movimento e a tomada de decisão.
Esses achados sugerem que alguns comportamentos compulsivos podem surgir de um controle deliberado excessivo, embora mal direcionado, em vez de uma perda de controle. Para o estudo da amígdala, nem todos os sintomas melhoraram após a intervenção; os camundongos continuaram a apresentar déficits na memória de reconhecimento de objetos, indicando que outras regiões cerebrais podem estar envolvidas. Ambas as equipes de pesquisa sugerem que suas descobertas poderiam levar a novas abordagens terapêuticas, com uma apontando circuitos neurais específicos como alvos para transtornos afetivos e a outra recomendando medicamentos que atuam em astrócitos ou tratamentos que reduzem a neuroinflamação.