Modelo de “relógio” com exame de sangue prevê início de sintomas de Alzheimer em 3–4 anos

Um estudo na *Nature Medicine* mostra que um único exame de sangue que mede p-tau217 no plasma pode estimar quando pessoas sem sintomas cognitivos desenvolverão sintomas de Alzheimer, com margem de erro média de 3–4 anos. A abordagem pode tornar ensaios clínicos mais eficientes, embora o uso desses testes em indivíduos assintomáticos deva permanecer restrito a pesquisas por enquanto.

Um novo estudo publicado na Nature Medicine em 19 de fevereiro mostra que um único exame de sangue pode avaliar não apenas o risco de uma pessoa desenvolver doença de Alzheimer, mas também prever aproximadamente quando os sintomas começarão, com uma margem média de erro de cerca de 3–4 anos. O estudo foi desenvolvido e lançado pelo Biomarkers Consortium da Foundation for the National Institutes of Health.

Os pesquisadores analisaram p-tau217, uma proteína ligada à doença de Alzheimer, em amostras de sangue coletadas ao longo de um período de até 10 anos de mais de 600 adultos (62–78 anos) que inicialmente não apresentavam sintomas cognitivos. Em seguida, a equipe construiu modelos estatísticos do tipo “relógio” que relacionaram mudanças ao longo do tempo no p-tau217 no sangue ao início futuro de sintomas.

O teste se baseia em uma forma anormal de uma proteína chamada tau que circula no sangue e começa a se acumular no cérebro de pessoas com Alzheimer bem antes de surgirem sintomas como perda de memória. Proteínas tau anormais podem formar fibras emaranhadas que interrompem a comunicação entre as células nervosas do cérebro.

Pessoas com níveis mais altos de p-tau217 no plasma tendiam a desenvolver sintomas de Alzheimer mais cedo, e indivíduos mais velhos desenvolveram sintomas mais rapidamente após atingirem níveis elevados dessa proteína. O modelo foi capaz de estimar a quantos anos uma pessoa poderia estar de desenvolver problemas de memória e pensamento relacionados ao Alzheimer, com precisão dentro de 3–4 anos.

Notavelmente, o tempo entre a positividade para p-tau217 e o início dos sintomas foi marcadamente mais curto em indivíduos mais velhos. Por exemplo, se uma pessoa apresentasse p-tau217 elevado no plasma aos 60 anos, desenvolveria sintomas 20 anos depois. Se o p-tau217 só não estivesse elevado até os 80 anos, os sintomas apareceriam muito mais cedo, sugerindo que o cérebro de pessoas mais jovens pode ser mais resiliente à neurodegeneração e que pessoas mais velhas podem desenvolver sintomas com níveis mais baixos de patologia de Alzheimer.

O estudo fez parte de um projeto desenvolvido e lançado pelo Foundation for the National Institutes of Health Biomarkers Consortium, uma parceria público-privada. Os participantes incluíram 603 idosos que viviam de forma independente na comunidade, provenientes de duas iniciativas independentes e de longa duração de pesquisa sobre Alzheimer: o Washington University School of Medicine Knight Alzheimer Disease Research Center e a Alzheimer's Disease Neuroimaging Initiative, baseada em múltiplos centros nos EUA.

O p-tau217 no plasma foi medido com PrecivityAD2, um exame diagnóstico de sangue clinicamente disponível para doença de Alzheimer da C2N Diagnostics, uma startup da Washington University. O p-tau217 no plasma também foi medido na coorte da ADNI usando exames de sangue de outras empresas, incluindo um aprovado pela U.S. Food and Drug Administration. Modelos semelhantes foram construídos com dados de um imunoensaio p-tau217/Aβ42 e quatro imunoensaios de p-tau217 no plasma.

O p-tau217 no plasma já havia demonstrado forte correlação com o acúmulo de amiloide e tau no cérebro, conforme mostrado em exames PET. As principais marcas da doença de Alzheimer, amiloide e tau, são proteínas mal dobradas que começam a se acumular no cérebro muitos anos antes do desenvolvimento de sintomas de Alzheimer. Medidas plasmáticas de p-tau217 apresentam alta associação não apenas com PET de amiloide, mas também com PET de tau, volumes cerebrais e cognição.

Esse nível de precisão pode ser especialmente útil para ensaios clínicos, ajudando pesquisadores a selecionar participantes com maior probabilidade de desenvolver sintomas dentro do período do estudo — tornando as pesquisas mais eficientes e robustas. Os modelos poderiam permitir que ensaios clínicos de tratamentos potencialmente preventivos fossem realizados em um período mais curto.

A equipe de pesquisa também desenvolveu uma aplicação baseada na web que permite aos cientistas visualizar como os níveis de p-tau217 no plasma mudam ao longo do tempo e como se relacionam com sintomas de Alzheimer. A ferramenta interativa ajuda pesquisadores a explorar relações complexas entre p-tau217 no plasma, idade e sintomas.

O autor sênior afirmou que o estudo mostra ser possível usar exames de sangue para prever não apenas se indivíduos têm probabilidade de desenvolver sintomas de Alzheimer, mas também estimar quando os sintomas começarão, acrescentando que os pesquisadores estão trabalhando para tornar esses modelos ainda mais precisos. No entanto, neste momento, não se recomenda que indivíduos sem comprometimento cognitivo façam qualquer teste de biomarcadores para doença de Alzheimer. Tanto o teste de biomarcadores de Alzheimer em pessoas sem sintomas cognitivos quanto o uso da aplicação baseada na web devem ser limitados a ambientes de pesquisa, escreveram os autores do estudo.

O estudo foi apoiado por parceiros do setor privado AbbVie Inc., a Alzheimer's Association, The Alzheimer's Drug Discovery Foundation's Diagnostics Accelerator, Biogen, Johnson & Johnson e Takeda. Mais de 7 milhões de americanos vivem com doença de Alzheimer, com custos de saúde e cuidados de longo prazo para Alzheimer e outras formas de demência projetados para chegar a quase $400 bilhões em 2025, segundo a Alzheimer's Association.

O estudo se baseia em dados e insights gerados a partir de parcerias de pesquisa anteriores e em andamento da FNIH comprometidas em avançar a compreensão do Alzheimer e de outras doenças neurodegenerativas. Começando com a Alzheimer's Disease Neuroimaging Initiative em 2004 e continuando por meio das Accelerating Medicines Partnerships e do Biomarkers Consortium, a FNIH liderou numerosos esforços colaborativos focados em identificar e validar biomarcadores para detecção precoce e tratamento eficaz do Alzheimer.

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References

  1. Alzheimer's 'Clock' Uses Blood Test to Forecast Symptom Onset | MedPage Today · www.medpagetoday.com
  2. Blood Test Estimates When Alzheimer’s Symptoms Will Start · www.drugs.com
  3. Blood test holds promise for predicting when Alzheimer's symptoms will start - Nature · www.nature.com
  4. Predicting onset of symptomatic Alzheimerʼs disease with plasma p-tau217 clocks - Nature · www.nature.com
  5. New approach roughly predicts when Alzheimer's symptoms begin - The Washington Post · www.washingtonpost.com
  6. FNIH Biomarkers Consortium Study Shows “Clock Model” Blood Test Can Predict Onset of ... · fnih.org
  7. FNIH Biomarkers Consortium Study Shows "Clock Model" Blood Test Can Predict Onset of ... · finance.yahoo.com
  8. Blood test “clocks” predict when Alzheimer's symptoms will start - WashU Medicine · medicine.washu.edu