Mau uso da assistência de cadeira de rodas em aeroportos coloca serviços de acessibilidade em risco
O mau uso da assistência de cadeira de rodas em aeroportos por passageiros sem deficiência está colocando em risco os serviços de acessibilidade. Uma paciente com hipertensão pulmonar explica como os impostores alimentam o estigma e dificultam as viagens para pessoas com doenças invisíveis.
O mau uso da assistência de cadeira de rodas em aeroportos por passageiros sem deficiência está dificultando as viagens para pessoas com deficiência e colocando em risco os serviços para aqueles que realmente dependem deles, segundo uma paciente com hipertensão pulmonar (HP).
Um artigo recente destaca o problema de pessoas que usam indevidamente a assistência de cadeira de rodas nos aeroportos para se adiantar, afirmando: "… muitos passageiros sem deficiência solicitam cadeiras de rodas pela 'experiência VIP' — uma escolta pela ponte de embarque que permite furar as filas e ter prioridade no espaço do compartimento superior. Quando percebem, no final do voo, que precisam esperar pela assistência para desembarcar, a recuperação começa." A prática tem criado desafios para passageiros, funcionários do aeroporto e tripulações.
Se você tem uma doença rara ou crônica como a hipertensão pulmonar (HP), entende como viajar pode parecer mais uma mudança de casa do que férias, dada toda a bagagem extra necessária para equipamentos médicos e o esforço para atravessar o aeroporto e embarcar no avião. Um dos sintomas da HP é a falta de ar, e uma crise pode afetar a mobilidade. Nos primeiros anos após o diagnóstico, a paciente frequentemente recusava a assistência, orgulhosa demais para pedir ajuda, e acabava sem fôlego, hipóxica e sobrecarregada antes de chegar ao portão de embarque. É por isso que hoje ela conta com assistência de cadeira de rodas do balcão de check-in até o embarque no avião.
Chegar cedo ao aeroporto é importante porque você nunca sabe quais multidões ou filas intermináveis o aguardam. Solicitar serviços de acessibilidade também pode consumir mais minutos do relógio. Às vezes, a paciente precisou lembrar o agente da companhia aérea de que ainda estava esperando pela assistência, e só então ele fazia várias ligações para atender ao pedido, muitas vezes sem previsão de chegada. O artigo recente sugere que a pressão sobre o fornecimento de cadeiras de rodas e atendentes pode estar mais relacionada a viajantes sem deficiência que querem furar a fila e ser os primeiros a guardar suas bagagens.
O que mais irrita a paciente nesse problema é como esses impostores podem dificultar as viagens para todos nós e colocar em risco os serviços para quem realmente depende deles. Esses impostores fomentam um ambiente de estigma, vergonha e julgamento em relação às pessoas que usam esses serviços. Nem todas as deficiências ou condições de saúde são aparentes apenas olhando para alguém. Pessoas com doenças raras como a HP podem não parecer que precisam de ajuda adicional no aeroporto. A disponibilidade e a chegada pontual desses serviços nem sempre são garantidas, o que torna seu abuso e mau uso ainda mais frustrantes.
A paciente diz que está curiosa para ver se os 'voos milagrosos' continuarão a sobrecarregar a disponibilidade dos serviços de assistência e estará pronta para defender a comunidade caso esse problema interfira em sua capacidade de conhecer mais o mundo.