Agonista de STING 8803 mostra atividade antitumoral em estudo sobre meningioma
Um estudo da Nature Communications relatou que o agonista de STING 8803 inibiu o crescimento tumoral em amostras humanas de meningioma e reduziu o volume tumoral e a mortalidade em modelos murinos. Os pesquisadores constataram que a via de STING é expressa tanto nas células tumorais do meningioma quanto nas células imunes do microambiente tumoral.
Cientistas da Northwestern Medicine descobriram uma potente abordagem de imunoterapia para tratar meningiomas, o tipo mais comum de tumor cerebral primário, segundo um estudo publicado na Nature Communications. Em amostras de tumor de meningioma humano e em modelos de camundongos, um fármaco experimental que ativa a via de STING, chamado agonista de STING 8803, inibiu o crescimento tumoral, promoveu a citotoxicidade das células tumorais e reduziu o volume tumoral e a mortalidade nos camundongos.
Mais de 39.000 americanos são diagnosticados com meningioma a cada ano, de acordo com a National Brain Tumor Society. Embora alguns meningiomas possam ser tratados de forma eficaz com cirurgia e radioterapia, tumores mais avançados e agressivos são resistentes ao tratamento e podem recorrer com aumento das taxas de morbidade ou mortalidade. “Não há terapias sistêmicas que tenham demonstrado eficácia consistente para meningiomas, e há um interesse crescente no uso de imunoterapias para atingir esses tumores”, disse o autor principal do estudo.
No estudo atual, os investigadores buscaram identificar novos alvos de imunoterapia para meningiomas analisando conjuntos de dados de sequenciamento de RNA de célula única que abrangiam dados de 22 pacientes diagnosticados com tumores de meningioma. A partir dessa análise, os cientistas descobriram que a via de STING é expressa tanto nas células tumorais do meningioma quanto nas células imunes que circulam no microambiente tumoral. “STING é, na verdade, expresso nas próprias células tumorais do meningioma e não apenas nas populações imunes infiltrantes, o que é algo único em relação a outros tipos de tumores cerebrais, como os gliomas”, disse o autor principal.
Em seguida, os investigadores administraram o agonista de STING 8803 em amostras de tumor de meningioma humano coletadas diretamente da sala de cirurgia. Nas amostras de meningioma, os investigadores observaram que 8803 inibiu o crescimento tumoral e promoveu a citotoxicidade das células tumorais. Esse achado foi reproduzido em modelos murinos de meningioma, além da esperada ativação de populações imunes latentes.
Para identificar os mecanismos celulares que promovem a citotoxicidade nas células tumorais do meningioma, os cientistas usaram sequenciamento de RNA e microscopia eletrônica para estudar células tumorais de meningioma que haviam sido tratadas com o agonista de STING. Eles descobriram que o fármaco desencadeia vias de necrose programada e ativa a proteína Gasdermin D, que cria “poros” na membrana da célula tumoral. A perda da integridade da membrana desencadeia uma forma abrupta e descontrolada de morte celular que libera antígenos no microambiente tumoral, causando uma resposta inflamatória.
Em comparação com outros tumores sólidos, os tumores de meningioma abrigam grandes quantidades de colágeno, que compõe grande parte do volume da lesão e pode causar efeito de massa no cérebro. Em meningiomas tratados com o agonista de STING, as células tumorais mostraram diminuição na produção de colágeno, enquanto populações imunes infiltrantes aumentaram a produção de enzimas degradadoras de colágeno, causando uma redução geral da massa tumoral.
Os achados destacam a ampla expressão da via de STING no microambiente tumoral do meningioma e sugerem que o uso do agonista de STING 8803 para atingir essa via pode ser uma abordagem eficaz para induzir respostas tumorais diretas e respostas imunes inflamatórias no meningioma. Os detalhes da publicação listaram o estudo como: “STING activation induces cytotoxic and immune responses in meningiomas via inflammatory cell death pathways”, publicado na Nature Communications com DOI: 10.1038/s41467-026-69296-1.