Dia das Doenças Raras destaca atrasos diagnósticos e barreiras de acesso à terapia gênica

O Dia Internacional das Doenças Raras, em 28 de fevereiro, ressalta os desafios no diagnóstico e tratamento de condições genéticas, com pacientes enfrentando anos de atraso e barreiras geográficas para acessar terapias gênicas inovadoras.

Todos os anos, em 28 de fevereiro, o mundo celebra o Dia Internacional das Doenças Raras. As doenças raras, ou "órfãs", são tradicionalmente definidas pela baixa prevalência, afetando menos de 1 em cada 2 000 indivíduos na União Europeia e menos de 200 000 pessoas nos Estados Unidos. Embora cada condição seja individualmente incomum, quase 8 000 desses distúrbios afetam milhões de pessoas em todo o mundo. Na Índia, estima-se que cerca de 70 milhões de indianos vivam com uma dessas doenças, muitas das quais têm origem genética.

O atraso no diagnóstico continua sendo um desafio crítico. Na afibrinogenemia congênita, um distúrbio hemorrágico extremamente raro, foi observado um atraso diagnóstico mediano de mais de oito anos em uma coorte indiana. Muitos pacientes enfrentam uma "odisseia diagnóstica", visitando múltiplos especialistas e realizando inúmeros exames antes de encontrar uma resposta. Um jovem de 19 anos passou por mais de 20 centros médicos antes de ser diagnosticado com trombastenia de Glanzmann. Outro caso envolveu um bebê com anemia grave, tratado por suposta deficiência nutricional antes que testes moleculares revelassem um distúrbio raro do metabolismo da cobalamina (defeito cblF herdado).

Cerca de 80 % de todas as doenças raras são genéticas. Avanços nos testes genéticos agora permitem que os médicos identifiquem a causa exata das doenças. O sequenciamento completo do exoma (WES) analisa todas as regiões codificadoras de proteínas do genoma e tem demonstrado ser capaz de fornecer diagnósticos em muitos casos anteriormente sem solução. Na pediatria, o sequenciamento do exoma em trio (testando a criança e os pais) é uma das estratégias mais bem-sucedidas.

As terapias gênicas costumam ser tratamentos de dose única que modificam os genes causadores de doenças. Elas podem impactar massivamente a vida dos pacientes, mas os custos podem chegar a alguns milhões de dólares por pessoa, criando barreiras de acesso. A localização geográfica também é um impedimento: um paciente com retinite pigmentosa em Louisiana, nos EUA, não encontrou opções de cuidados especializados em sua região e enfrentou problemas com o seguro saúde ao tentar buscar tratamento no Texas.

Para certas doenças neuromusculares, como a atrofia muscular espinhal (AME), identificar a mutação no gene SMN1 determina se o paciente é elegível para terapia gênica (como o onasemnogene abeparvovec). Em distúrbios metabólicos, como fenilcetonúria ou doença da urina do xarope de bordo, os testes genéticos ajudam a identificar qual enzima está afetada, permitindo dietas personalizadas. Além disso, as síndromes de predisposição ao câncer representam um grupo importante de distúrbios hereditários, onde mutações germinativas elevam o risco de malignidade em vários membros da família.

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References

  1. International Rare Disease Day: A Day That Must Not Be Forgotten - Open Magazine · openthemagazine.com
  2. Where patients live matters for access to gene therapy - NPR · npr.org
  3. Building care pathways for rare diseases : From diagnosis to lifelong management · expresshealthcare.in