Imunoterapia de nova geração mostra potencial no câncer de próstata em estágio inicial

Um estudo multi-institucional avaliou a combinação da imunoterapia investigacional BMS-986218 com terapia de privação androgênica (ADT) antes da cirurgia em homens com câncer de próstata localizado de alto risco. A estratégia reduziu significativamente células T reguladoras (Tregs) nos tumores e esteve associada a maior probabilidade de permanecer livre de câncer durante o acompanhamento.

Um estudo multi-institucional liderado pela Mayo Clinic e publicado na Cell Reports Medicine relata que associar uma imunoterapia de nova geração à hormonioterapia padrão antes da cirurgia pode ajudar a superar uma barreira antiga no tratamento do câncer de próstata em estágio inicial. O ensaio randomizado de fase inicial, first-in-human, incluiu 24 homens com câncer de próstata localizado de alto risco e constatou que a adição do anticorpo anti-CTLA-4 investigacional com Fc aprimorado, BMS-986218, à hormonioterapia reduziu significativamente as células T reguladoras (Tregs) dentro dos tumores em comparação com a hormonioterapia isolada. Pacientes cujos tumores apresentaram as maiores reduções tiveram maior probabilidade de permanecer livres de câncer durante o acompanhamento.

A imunoterapia tem sido, em geral, ineficaz no câncer de próstata porque os tumores são considerados imunologicamente “frios”, ou seja, não atraem células imunológicas suficientes para desencadear um ataque robusto. A hormonioterapia comumente usada no câncer de próstata, chamada terapia de privação androgênica (androgen deprivation therapy, ADT), pode tornar os tumores temporariamente mais responsivos ao atrair células imunes para o câncer. Mas esse benefício é de curta duração: o tratamento também aumenta os níveis de células T reguladoras (Tregs), que funcionam como freios do sistema imunológico e reduzem seus efeitos anticâncer.

O estudo, desenhado para avaliar segurança e efeitos biológicos, testou se adicionar uma imunoterapia de nova geração à hormonioterapia antes da cirurgia poderia neutralizar essa imunossupressão. A combinação reduziu os níveis de Tregs dentro dos tumores de próstata. A ADT priva as células cancerígenas de hormônios masculinos como a testosterona, que elas usam como combustível. Os efeitos imunes desejáveis da ADT são abreviados pelas Tregs, que normalmente impedem o sistema imunológico de reagir de forma exagerada a substâncias e de atacar o próprio corpo.

Os pesquisadores colaboraram com colegas do Columbia University Irving Medical Center, do Memorial Sloan Kettering Cancer Center e da Bristol Myers Squibb para investigar se a supressão das Tregs poderia superar esse obstáculo ao liberar com segurança os “freios” do sistema imunológico e ajudá-lo a montar uma resposta melhor contra o câncer de próstata. O medicamento investigacional tem como alvo o CTLA-4, altamente expresso nas Tregs, especialmente dentro dos tumores. A depleção seletiva de Tregs nos tumores é, há muito tempo, um objetivo almejado na oncologia.

Os resultados fornecem a primeira evidência clínica de que uma terapia anti-CTLA-4 engenheirada pode depletar células T reguladoras dentro de tumores de próstata. Como o tratamento foi administrado antes da cirurgia, os pesquisadores também puderam analisar grandes seções dos tumores de próstata removidos cirurgicamente após o tratamento, em vez de ficarem limitados a minúsculas biópsias de tecido, que abrigam poucas células imunes para estudo. Essa rara oportunidade permitiu que eles utilizassem, em paralelo, múltiplas tecnologias avançadas para mapear com uma profundidade sem precedentes como essa nova imunoterapia afetou o complexo microambiente imunológico do câncer de próstata, até o nível de células imunológicas individuais. Essa análise abrangente do interior do tumor trouxe novas pistas sobre como a terapia afeta as células imunes, quais pacientes podem se beneficiar mais e identificou potenciais biomarcadores para orientar futuros ensaios.

O ensaio ofereceu uma oportunidade única de testar um novo medicamento de imunoterapia em pacientes com câncer de próstata localizado. Eles ainda não têm doença metastática, mas apresentam alto risco de chegar a esse estágio. São pacientes que possivelmente podem ser curados. Os achados estabelecem a viabilidade clínica da imunoterapia no câncer de próstata em estágio inicial e fornecem um conjunto de dados inestimável, a partir do qual é possível desenvolver e implementar novas abordagens de imunoterapia baseadas em evidências nesses pacientes.

Related Entities

Related Articles

References

  1. Research Finds New Immunotherapy for Early Prostate Cancer | Mirage News · miragenews.com
  2. Study identifies potential immunotherapy strategy for early-stage prostate cancer - Mayo Clinic · newsnetwork.mayoclinic.org
  3. Mayo Clinic Study Uncovers Mechanism Driving Immunotherapy Resistance in Lung Cancer · bioengineer.org