Acromegalia: Sobrecarga do Paciente, Sintomas Invisíveis e Desafios Diagnósticos

Pacientes com acromegalia enfrentam sintomas persistentes como fadiga, dor articular, cefaleias e névoa mental, mesmo com controle bioquímico. A sobrecarga do tratamento e as barreiras financeiras continuam sendo significativas, especialmente na África subsaariana, onde ferramentas diagnósticas e terapias são frequentemente inacessíveis.

A acromegalia é um distúrbio multissistêmico crônico no qual o excesso de hormônio do crescimento e do fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1 causa morbidade somática, metabólica, psicológica e funcional progressiva. Embora o controle bioquímico melhore os desfechos, muitos pacientes continuam a apresentar sintomas persistentes, comprometimento da qualidade de vida relacionada à saúde (QVRS) e uma carga substancial de tratamento.

Fadiga, dor musculoesquelética, artropatia, distúrbios do sono e preocupações com a imagem corporal são altamente prevalentes e frequentemente persistem apesar da remissão bioquímica. A QVRS permanece comprometida nos domínios físico, psicológico e social, com depressão e ansiedade afetando uma proporção substancial dos pacientes. Fatores relacionados ao tratamento, incluindo a sobrecarga das injeções, sintomas de escape, efeitos gastrointestinais e demandas financeiras e de vigilância, reduzem ainda mais o bem-estar e a produtividade.

Do ponto de vista do paciente, a dor articular pode ser percebida como um envelhecimento acelerado, com rigidez, inchaço e dor profunda, especialmente nos joelhos, quadris e mãos. Pode limitar a mobilidade e tornar atividades simples exaustivas e dolorosas. O tratamento da acromegalia é o ponto de partida mais importante no manejo da dor articular. Algumas alterações articulares podem ser reversíveis se os níveis de IGF-1 forem reduzidos no início do curso da doença, mas, se as alterações se tornarem permanentes, podem ser consideradas injeções de esteroides ou géis. Em casos graves, pode ser necessária a substituição articular.

A fadiga na acromegalia é descrita como exaustão severa, fraqueza e dificuldade de raciocínio que não desaparecem mesmo após muito descanso ou sono. Pode ser causada por inflamação, depressão, sono interrompido, danos aos vasos sanguíneos e fraqueza muscular. Um estudo do sono é recomendado para quase todos os pacientes assim que seus níveis de IGF-1 estiverem controlados. Fisioterapia, terapia cognitivo-comportamental e práticas de mindfulness podem ajudar.

Cefaleias persistentes podem resultar da compressão de nervos intracranianos pelo tumor hipofisário, inflamação após tratamento cirúrgico, estiramento da camada externa do cérebro, aumento da pressão intracraniana ou dor nas articulações do pescoço. Níveis elevados de GH também podem causar cefaleia. O manejo do tumor aliviará as dores de cabeça, e o paracetamol pode proporcionar alívio temporário.

A disfunção sexual é comum, mas frequentemente negligenciada, pois os pacientes podem sentir que não têm tempo ou energia para buscar ajuda. Opções de tratamento estão disponíveis, incluindo reposição hormonal com testosterona em homens e estrogênio ou progesterona em mulheres quando os sintomas estão relacionados a níveis hormonais baixos.

A névoa mental (brain fog) e os desafios de saúde mental, incluindo dificuldade de concentração e lapsos de memória, podem ter um impacto real na vida diária. Esses sintomas podem estar relacionados a alterações na estrutura cerebral, níveis elevados de hormônio do crescimento, diminuição do líquido ao redor do cérebro e da medula espinhal e interrupções nas vias de sinalização das células cerebrais. Recomenda-se a manutenção do vínculo contínuo com o endocrinologista e a equipe de saúde.

Instrumentos de desfechos relatados por pacientes (PROs), incluindo o Acromegaly Quality of Life Questionnaire, o Patient-Assessed Acromegaly Symptom Questionnaire, o Acromegaly Treatment Satisfaction Questionnaire e o Acromegaly Symptom Diary, revelam discordância entre o controle bioquímico e os PROs, destacando a necessidade de avaliação padronizada de PROs e de limiares validados de diferença mínima importante.

Na África subsaariana, os dados epidemiológicos sobre acromegalia permanecem fragmentados, e a condição é provavelmente subdiagnosticada devido à inacessibilidade de ressonância magnética, dosagens hormonais e à conscientização limitada entre os profissionais de saúde. A prevalência global é estimada entre 40 e 125 casos por milhão de habitantes, com uma incidência anual de 3 a 5 novos casos por milhão. As manifestações clínicas mais comuns incluem síndrome tumoral hipofisária em 60%–80% dos pacientes, características acromegálicas (85%–95%), hipertensão arterial (35%–50%), diabetes mellitus (25%–40%) e artropatia (60%–70%).

Dois relatos de caso do Senegal ilustram os desafios. Uma professora de 65 anos com acromegalia confirmada não pôde receber uma única dose de octreotida devido à sua indisponibilidade no Senegal e ao seu custo proibitivo (480.000 francos CFA/mês, aproximadamente US$ 800). Um paciente do sexo masculino de 51 anos, com histórico de ressecção de adenoma somatotrófico e macroadenoma hipofisário, também não conseguiu acessar análogos de somatostatina devido a barreiras financeiras; ele faleceu 4 meses após a apresentação, provavelmente devido a complicações cardíacas.

Novas terapias orais e formulações de ação prolongada podem reduzir a sobrecarga do tratamento, mas os dados comparativos de PROs são limitados. Apesar dos avanços terapêuticos, a acromegalia permanece associada a uma carga considerável de sintomas e comprometimento da QVRS. O cuidado centrado no paciente requer a incorporação sistemática de PROs, o manejo multidisciplinar das comorbidades, a atenção à sobrecarga do tratamento e a tomada de decisão compartilhada.

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References

  1. The Acromegaly Patient Experience: Burden of Treatment, Breakthrough Symptoms, and ... · medpagetoday.com
  2. Managing the 'Invisible' Symptoms of Acromegaly - Everyday Health · everydayhealth.com
  3. Acromegaly: Diagnostic and Therapeutic Management Challenges in Senegal · scirp.org