Cresce o apoio aos testes sem animais, mas adoção ainda é lenta

O apoio aos testes sem animais está crescendo, mas a adoção dessas abordagens segue lenta. O artigo destaca barreiras regulatórias, incerteza por parte das empresas e altas taxas de fracasso de medicamentos, apesar do avanço de métodos considerados mais rápidos, baratos e confiáveis.

Cruelty Free International afirmou que a adoção de métodos de teste sem animais está avançando lentamente, apesar do amplo apoio ao fim dos testes em animais. Reino Unido, UE, EUA e Canadá assumiram, de alguma forma, o compromisso de eliminar gradualmente ou reduzir o uso de animais e substituí-los por abordagens sem animais, humanitárias e relevantes para humanos, mas uma ação decisiva continua sendo urgente.

Ainda houve 2,64 milhões de usos de animais vivos em procedimentos científicos na Grã-Bretanha em 2024, uma queda de apenas 2% em relação aos números oficiais de 2023. No Reino Unido, 72% das pessoas entrevistadas querem um plano vinculante e com cronograma definido para eliminar gradualmente o uso de todos os animais em experimentos, e uma pesquisa da Gallup mostrou que, desde 2001, os testes em animais registraram a maior queda no percentual de cidadãos dos EUA que consideram uma questão moralmente aceitável.

A estratégia de eliminação gradual do governo do Reino Unido, publicada em novembro, foi descrita como um primeiro passo forte, sendo o aumento do financiamento visto como particularmente fundamental. A estratégia pode ser o catalisador de uma visão de longo prazo para reduzir significativamente o número de testes em animais no Reino Unido, se for implementada com liderança forte e de forma genuína e plenamente colaborativa, envolvendo a sociedade civil, ONGs, a academia e a indústria para impulsionar a inovação global.

O artigo afirmou que a colaboração deve transcender fronteiras nacionais e continentais, porque as exigências para testes em animais podem diferir entre países. O National Institutes of Health dos EUA estabeleceu recentemente um Standardized Organoid Modelling Center para acelerar tecnologias baseadas em organoides que visam reduzir a dependência do uso de animais e, em última instância, substituí-lo, e centros de excelência com recursos adequados também são necessários no Reino Unido.

Segundo o texto, o financiamento de longo prazo para esses centros é essencial, num momento em que o investimento em abordagens sem animais continua representando uma parcela extremamente pequena dos orçamentos de pesquisa e desenvolvimento científico. Esses centros podem oferecer educação e treinamento, viabilizar pesquisas voltadas à substituição para atender às necessidades regulatórias em evolução e ampliar iniciativas de testes sem animais já em andamento dentro e fora do governo.

O artigo afirmou que os métodos sem animais, em muitos casos, já estão se mostrando mais rápidos, mais baratos e mais confiáveis, mas questões estruturais e regulatórias, além de mentalidades ultrapassadas, estão impedindo sua adoção. No Reino Unido e na UE, é ilegal realizar testes em animais se existirem métodos sem animais, mas os testes ainda podem ocorrer devido à supervisão inadequada e à incerteza sobre como abordagens sem animais podem ser usadas para atender às exigências regulatórias de dados.

Também afirmou que as empresas frequentemente hesitam em usar abordagens sem animais porque não têm certeza se os reguladores aceitarão os resultados. O artigo acrescentou que muitos testes em animais nunca foram formalmente validados em primeiro lugar e, ainda assim, continuam sendo considerados o padrão-ouro, apesar de suas limitações amplamente reconhecidas.

O artigo afirmou que há profundas diferenças biológicas entre humanos e outros animais, e que os testes em animais frequentemente falham em prever resultados em humanos. Citou estimativas de que 92% dos medicamentos fracassam em ensaios clínicos em humanos (clinical trials), apesar de resultados promissores em testes pré-clínicos, incluindo testes em animais, e que, para a doença de Alzheimer, estima-se que o índice ultrapasse 99%. Também afirmou que os prazos de desenvolvimento se estendem por mais de uma década e que os custos ultrapassam US$ 2 bilhões por medicamento.

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References

  1. Generative AI may significantly reduce the number of animal experiments - Phys.org · phys.org
  2. Animal-testing alternatives will require a cultural change in research institutions - Nature · nature.com
  3. Championing alternative approaches to animal testing - Government · openaccessgovernment.org