Amiloide no Coração Pode Anteceder Sintomas do Alzheimer; Estudo Cerebral Mapeia Mecanismos da Doença
Um estudo clínico investiga se a ecocardiografia pode detectar amiloide cardíaco como sinal precoce do Alzheimer, enquanto uma pesquisa laboratorial mapeia uma cascata de expressão gênica bifásica no cérebro que identifica novos alvos terapêuticos.
Dois novos estudos oferecem insights complementares sobre a doença de Alzheimer: um revela que depósitos de amiloide no coração podem permitir um diagnóstico mais precoce, enquanto o outro mapeia uma cascata molecular bifásica no cérebro que identifica potenciais alvos terapêuticos.
Pesquisadores do del Monte Lab da Medical University of South Carolina descobriram anteriormente que as placas e emaranhados característicos da patologia cerebral do Alzheimer também aparecem nos corações de pessoas com cardiomiopatia e insuficiência cardíaca. Com base nisso, um novo estudo visa encontrar marcadores biológicos para a detecção precoce tanto de doenças cerebrais quanto cardíacas. O estudo recruta três grupos: pessoas com insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada, pessoas com doença de Alzheimer e controles saudáveis. Os participantes fornecem amostras de sangue e urina e são submetidos a exames físicos, testes cognitivos, eletrocardiogramas e ecocardiogramas. O trabalho, apoiado por uma doação anônima, comparará a ecocardiografia com a imagem por PET para diagnosticar amiloide no coração e, potencialmente, no cérebro.
“Poderíamos diagnosticar o Alzheimer antecipadamente com uma ecocardiografia”, disse del Monte. Modelos de camundongos sugerem que acúmulos de amiloide podem aparecer no coração antes do cérebro, levantando a possibilidade de prever o Alzheimer antes do surgimento dos sintomas cognitivos. O estudo envolve duas visitas iniciais com acompanhamento de quatro e oito anos.
Separadamente, a equipe de del Monte está desenvolvendo anticorpos experimentais para eliminar placas na insuficiência cardíaca; um anticorpo patenteado reduziu placas e melhorou a função cardíaca em testes laboratoriais, embora os efeitos colaterais tenham levado ao trabalho em candidatos adicionais. A visão de longo prazo inclui uma clínica híbrida de coração/cérebro onde neurologistas, um cardiologista e outros especialistas colaboram no cuidado ao paciente.
Em um estudo publicado na Molecular Psychiatry, pesquisadores do Baylor College of Medicine e do Duncan Neurological Research Institute integraram dados de expressão gênica de cérebros humanos post-mortem com experimentos em moscas-da-fruta para desvendar eventos de causa e efeito que levam à neurodegeneração. O consórcio AMP-AD analisou aproximadamente 2.000 amostras de tecido cerebral e identificou 30 redes de expressão gênica associadas ao Alzheimer, especialmente aquelas envolvidas em funções imunológicas e sinápticas.
Os pesquisadores testaram 344 genes em moscas-da-fruta. Ativar genes de resposta imune — cuja expressão está elevada em cérebros com Alzheimer — promoveu neurodegeneração, enquanto silenciar genes sinápticos — cuja expressão está reduzida na doença — na verdade protegeu as células cerebrais. “Nossos resultados sugerem que a expressão reduzida de genes sinápticos pode, na verdade, representar uma resposta compensatória à hiperatividade prejudicial das células cerebrais”, disse o autor correspondente Dr. Joshua Shulman.
Com base nessas descobertas, a equipe propõe um modelo bifásico: no início do Alzheimer, as placas amiloides desencadeiam um aumento nos genes sinápticos, tornando as células cerebrais hiperativas e contribuindo para danos. Mais tarde, os emaranhados de tau parecem reduzir a expressão desses mesmos genes como uma resposta protetora, mas a compensação é insuficiente para interromper o declínio cognitivo. Os resultados destacam genes condutores e vias específicas que podem servir como alvos para terapias futuras.