Microtumores 3D mostram potencial para prever resposta ao tratamento no câncer colorretal avançado
MicroOrganoSpheres previram o sucesso do tratamento em 83% de 21 casos de câncer colorretal avançado, alcançando 100% de precisão quando as amostras vieram do tumor primário. O teste automatizado pode ser realizado em poucos dias.
MicroOrganoSpheres (MOS), pequenos modelos tumorais tridimensionais produzidos em laboratório a partir do tecido tumoral de pacientes individuais, podem ajudar a prever qual quimioterapia será eficaz para pacientes com câncer colorretal avançado. Uma equipe germano-neerlandesa testou MOS de amostras tumorais de 21 pacientes e constatou que, em 83 por cento dos casos, as respostas dos MOS aos fármacos corresponderam ao sucesso real do tratamento. Quando os MOS foram obtidos do tumor primário, e não das metástases, a precisão da previsão chegou a 100 por cento.
Os microtumores são obtidos a partir de suspensões de células tumorais, que são divididas em minúsculas gotículas usando microfluídica e incorporadas em uma matriz de gel. Os MOS podem ser testados automaticamente em um processo de alto rendimento com vários fármacos, e análises modernas de imagem e inteligência artificial são então usadas para medir com que intensidade as células tumorais respondem aos respectivos fármacos.
As estruturas em gotículas, com aproximadamente 300 micrômetros de tamanho, permitem crescimento rápido, alta reprodutibilidade e melhor suprimento de nutrientes, superando os organoides convencionais em medicina de precisão e desenvolvimento de fármacos. Em comparação com métodos anteriores baseados em organoides, o teste é padronizado, pode ser automatizado e pode ser realizado em poucos dias.
Pacientes cujos MOS responderam à quimioterapia testada em laboratório permaneceram, em média, livres da doença por mais tempo. O método também foi capaz de revelar diferenças dentro de um único tumor, identificando assim grupos de células cancerígenas particularmente resistentes.
Os pesquisadores afirmaram que o método ainda precisa ser mais testado em grupos maiores de pacientes em ensaios clínicos (clinical trials). Os achados foram publicados no JCO Precision Oncology em 2026.