Governo Trump avança para reclassificar a maconha como substância da Tabela III
O governo Trump avançou para reclassificar a maconha da Tabela I para a Tabela III sob a Lei de Substâncias Controladas. A mudança deve facilitar as restrições à pesquisa, mas não legalizará imediatamente a maconha nem alterará de imediato as penas por porte.
O governo Trump avançou para reclassificar a maconha da Tabela I para a Tabela III sob a Lei de Substâncias Controladas. O procurador-geral interino de Trump assinou a ordem na quinta-feira, mais de 4 meses depois de Donald Trump assinar uma ordem executiva determinando ao procurador-geral que a transferisse da Tabela I para a Tabela III.
A classificação na Tabela I significava que a maconha estava ao lado de heroína, LSD, MDMA e opioides sintéticos, enquanto uma classificação na Tabela III a colocava na mesma categoria que ketamina, esteroides anabolizantes e testosterona. A ordem transfere a maconha da Tabela I para a Tabela III, colocando a maconha medicinal licenciada pelos estados na mesma categoria que alguns analgésicos, ketamina e testosterona.
"Essas medidas permitirão pesquisas mais direcionadas e rigorosas sobre a segurança e a eficácia da maconha, ampliando o acesso dos pacientes a tratamentos e capacitando os médicos a tomar decisões de saúde mais bem informadas", disse o procurador-geral interino em uma publicação no X.
É importante destacar que a reclassificação não legalizará imediatamente a maconha nem afetará as penas das pessoas presas por porte. Isso também não significa legalização total imediata, e ela continuará sujeita a restrições bancárias para empresas, em parte devido aos riscos contínuos sob leis de combate à lavagem de dinheiro. Em geral, é ilegal transportar drogas da Tabela III entre estados sem autorização, portanto a reclassificação não permitiria necessariamente que produtores fizessem transporte interestadual.
A medida ocorre poucos dias depois de Trump assinar uma ordem executiva para acelerar uma revisão de drogas psicodélicas, incluindo a ibogaína, encontrada na casca da raiz de um arbusto da África Ocidental, que também está na categoria mais alta de drogas ilegais com elevado potencial de abuso. Na assinatura da ordem sobre drogas psicodélicas, Trump reclamou que autoridades federais estavam "arrastando" o processo de reclassificação da maconha.
Os opositores da medida argumentam que ela dá vantagem à indústria da cannabis e levanta preocupações com a segurança pública. Um opositor disse que os atuais produtos de maconha medicinal "não foram avaliados pela FDA" e argumentou: "Nunca tivemos um medicamento que não tenha passado pela aprovação da FDA como Tabela 3."
A mudança de classificação também aliviará encargos regulatórios e tributários. A maconha é atualmente legal de alguma forma em 40 estados dos EUA. Estados onde a maconha é legal acumularam enormes excedentes da droga, levando a uma queda dos preços no atacado conhecida como "ganja glut".
A maioria dos americanos apoia a flexibilização das restrições à maconha. Uma pesquisa divulgada neste mês pela YouGov constatou que 84% dos entrevistados "apoiam fortemente" ou "apoiam em alguma medida" a legalização da maconha para fins medicinais, enquanto 9% "se opõem fortemente" ou "se opõem em alguma medida" à medida. Embora os números tenham sido consideravelmente menores para a legalização recreativa, ela ainda obteve 50% dos entrevistados que disseram "apoiar fortemente" ou "apoiar em alguma medida" a medida, enquanto 33% "se opõem fortemente" ou "se opõem em alguma medida".