Forças Armadas dos EUA ampliam operações antidrogas ao Equador e atingem mais três embarcações

As Forças Armadas dos EUA iniciaram operações em parceria com o Equador voltadas a “organizações terroristas designadas” e atingiram três supostas embarcações do narcotráfico no Pacífico Oriental e no Caribe, matando 11 pessoas, segundo o US Southern Command. As ações integram a Operation Southern Spear, cuja legalidade e eficácia têm sido questionadas por críticos.

O Exército dos EUA começou a conduzir operações com o Equador visando “organizações terroristas designadas” no país latino-americano, anunciou o Pentágono nesta terça-feira, marcando uma nova frente nos esforços do governo Trump para conter o tráfico de drogas. O anúncio parece sinalizar uma ampliação da Operation Southern Spear do governo Trump, que até agora já matou 151 pessoas em ataques contra supostas embarcações de drogas no Pacífico Oriental e no Caribe.

O US Southern Command anunciou que os militares realizaram, na segunda-feira, ataques contra três supostas embarcações de contrabando de drogas no Pacífico Oriental e no Caribe, matando 11 pessoas. “Informações de inteligência confirmaram que as embarcações transitavam por rotas conhecidas do narcotráfico e estavam engajadas em operações de narcotráfico”, disse o Southern Command nesta terça-feira em uma publicação no X. A publicação alegou que as três embarcações eram “operadas por Organizações Terroristas Designadas” e se referiu aos mortos como “narco-terroristas do sexo masculino”, afirmando que oito pessoas foram mortas em duas embarcações no Pacífico Oriental e três foram mortas em uma embarcação no Caribe. Nenhuma tropa dos EUA ficou ferida, segundo a publicação.

Os militares não apresentaram evidências de que as embarcações ou as pessoas a bordo estivessem envolvidas em tráfico de drogas, nem comprovação do número de mortos. Os ataques foram conduzidos por determinação do general do Corpo de Fuzileiros Navais, Francis Donovan, que atua como comandante do US Southern Command.

O Pentágono não especificou o que as novas operações no Equador envolveriam nem em quais grupos se concentrariam. Um breve vídeo publicado nas redes sociais pelo US SOUTHCOM mostrou indivíduos embarcando em um helicóptero. O Ministério da Defesa do Equador disse nas redes sociais nesta terça-feira que havia começado uma “nova fase contra o narco-terrorismo e a mineração ilegal”. “As Forças Armadas do Equador continuarão a combater com firmeza o crime organizado ao lado de aliados estratégicos, pela segurança dos equatorianos e pelo futuro pacífico de nossas famílias”, escreveu o ministério no X.

Los Lobos e Los Choneros, duas das principais organizações criminosas do Equador, foram designadas como organizações terroristas estrangeiras pelo US State Department em setembro passado.

Os anúncios ocorrem um dia após o presidente equatoriano Daniel Noboa se reunir com Donovan e outros representantes da defesa de ambos os países no Palácio do Governo, em Quito, para coordenar ações contra o crime organizado transnacional e fortalecer a segurança hemisférica. Segundo a presidência do Equador, a reunião abordou iniciativas para reforçar controles, o compartilhamento de informações e a coordenação operacional em aeroportos e portos.

Os EUA lançaram mais de 40 ataques que mataram mais de 130 pessoas, de acordo com estimativas oficiais fornecidas pelo Defense Department. O presidente Donald Trump disse que os EUA estão em “conflito armado” com cartéis na América Latina e justificou os ataques como uma escalada necessária para conter o fluxo de drogas. O governo Trump afirmou que os ataques são necessários para interromper o tráfico de drogas que estão matando americanos.

Críticos questionaram tanto a legalidade geral dos ataques quanto sua eficácia, em parte porque o fentanil por trás de muitas overdoses fatais costuma ser traficado para os EUA por via terrestre a partir do México, onde é produzido com substâncias químicas importadas da China e da Índia. Críticos dos ataques caracterizaram as ações do governo como sem amparo legal e irresponsáveis — crítica que atingiu o ápice após relatos de que os militares atingiram uma das embarcações duas vezes, acabando por matar dois sobreviventes.

O governo Noboa tem mantido uma relação próxima com Washington, com foco em segurança, por meio de acordos de cooperação e do interesse dos EUA em estabelecer uma base militar no Equador — proposta que foi rejeitada em um referendo em novembro passado.

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  1. US military launches anti- drug trafficking operation in Ecuador - WTOP News · wtop.com
  2. US military strikes another alleged drug boat in eastern Pacific, killing 3 - AP News · apnews.com
  3. Trump administration strikes three more alleged drug boats in the Pacific and Caribbean · nbcnews.com