Militares mexicanos matam líder do Cartel de Jalisco, “El Mencho”, com apoio de inteligência dos EUA
Autoridades mexicanas mataram Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, fundador do cartel Jalisco New Generation, em uma operação militar realizada no domingo com apoio de inteligência dos EUA. A ação desencadeou uma onda de violência em estados do oeste do México, com bloqueios de estradas e veículos incendiados.
As autoridades mexicanas mataram um dos traficantes de drogas mais procurados do mundo, Nemesio Rubén Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, fundador e líder do notório cartel Jalisco New Generation. O Ministério da Defesa do México confirmou que Oseguera foi ferido durante uma operação na manhã de domingo na cidade de Tapalpa, no estado de Jalisco, e morreu enquanto era transportado por via aérea, com outros associados do cartel, para a Cidade do México para tratamento.
Uma nova força-tarefa liderada pelas Forças Armadas dos EUA, especializada na coleta de inteligência sobre cartéis de drogas, teve participação na incursão militar mexicana. A Joint Interagency Task Force-Counter Cartel, que envolve várias agências do governo dos EUA, foi criada discretamente no fim do ano passado com o objetivo de mapear redes de integrantes de cartéis de drogas em ambos os lados da fronteira entre EUA e México. O ministério observou que as autoridades americanas haviam fornecido “informações complementares”. A operação em si foi uma ação das Forças Armadas mexicanas.
A morte de Oseguera é a derrubada mais significativa de um chefe do narcotráfico mexicano desde a captura de Joaquín “El Chapo” Guzmán, então líder do cartel de Sinaloa, que cumpre prisão perpétua em uma penitenciária nos EUA. As autoridades americanas haviam oferecido uma recompensa de US$ 15 milhões por informações que levassem à prisão ou condenação de Oseguera.
A operação desencadeou uma onda de violência, com carros incendiados e homens armados bloqueando rodovias em mais de meia dúzia de estados. O caos se espalhou pelo oeste do México no domingo. Integrantes do cartel estavam retirando pessoas de veículos nas ruas e colocando fogo neles. Segundo imagens que circulam nas redes sociais, era possível ver carros, caminhões e ônibus em chamas e soltando colunas de fumaça escura em estradas de Guadalajara e Puerto Vallarta, assim como nos estados de Nayarit e Michoacán.
O governador de Jalisco relatou bloqueios de estradas e outras perturbações em todo o estado do oeste e aconselhou as pessoas a ficarem em casa. Voos foram suspensos no aeroporto de Guadalajara, capital de Jalisco. As autoridades também relataram estradas bloqueadas em outras áreas do México onde o cartel exercia influência.
A morte relatada de Oseguera é uma grande conquista para o governo da presidente mexicana Claudia Sheinbaum, que vinha sofrendo intensa pressão do governo Trump para reprimir o tráfico de drogas destinado aos EUA. No último ano, o México enviou dezenas de suspeitos de integrar cartéis para os Estados Unidos para responder à Justiça.
Oseguera supervisionou uma expansão de seu cartel em moldes militares, que foi pioneiro no uso de veículos blindados, minas terrestres, drones e outros equipamentos bélicos. Entre outros ataques, o grupo de Jalisco foi responsabilizado pela derrubada, em 2015, de um helicóptero militar mexicano, o que resultou na morte de nove agentes de segurança pública do México. O helicóptero teria sido atingido por munição de metralhadora calibre .50 de fabricação americana e estava em missão para capturar o esquivo chefe do cartel.
Seu filho, Rubén Oseguera González, conhecido como “El Menchito”, foi capturado e extraditado do México em fevereiro de 2020. Ele foi condenado em 2024 por uma série de acusações relacionadas a drogas e armas vinculadas ao seu papel de liderança no cartel e agora cumpre prisão perpétua. Ele está detido em uma penitenciária federal de segurança máxima em Florence, no Colorado, conhecida como o “Alcatraz das Montanhas Rochosas”, que também abriga “El Chapo” e outros criminosos de alto perfil.
Sua filha, Jessica Johanna Oseguera González, foi presa enquanto visitava um dos processos judiciais do irmão e, posteriormente, declarou-se culpada por violações do chamado Kingpin Act relacionadas à lavagem de dinheiro. Ela teria passado pouco mais de dois anos na prisão antes de ser libertada em 2022.