Estudos associam mecanismos mitocondriais à melhora da cicatrização de feridas crônicas diabéticas
Dois estudos relataram mecanismos mitocondriais ligados ao reparo de feridas diabéticas, incluindo transplante mitocondrial direcionado e o RNA circular mitocondrial circMTRNR2. Os achados mostraram melhora da cicatrização em modelos experimentais e identificaram alvos potenciais para o tratamento de feridas crônicas.
Pesquisadores relataram novos achados sobre mecanismos mitocondriais em feridas crônicas diabéticas, incluindo uma estratégia de transplante mitocondrial direcionado e um RNA circular mitocondrial ligado ao reparo. Em feridas diabéticas, a mitofagia prejudicada e o acúmulo de mitocôndrias danificadas foram descritos como fatores-chave da disfunção das células endoteliais, enquanto tecidos de pacientes com úlceras de pé diabético de longa duração apresentaram níveis reduzidos do RNA circular mitocondrial circMTRNR2. Ambos os estudos afirmaram que os achados mitocondriais estiveram associados à melhora da cicatrização de feridas em modelos experimentais.
Um estudo afirmou que o transplante mitocondrial atua ao reativar a mitofagia para eliminar seletivamente mitocôndrias disfuncionais, restaurando assim a homeostase mitocondrial e recuperando a funcionalidade das células endoteliais. Os pesquisadores desenvolveram uma estratégia biomimética de transplante mitocondrial ao revestir a superfície de mitocôndrias isoladas com membrana de vesículas apoptóticas derivadas de células endoteliais. O complexo resultante, Mito-AVM, utilizou direcionamento homólogo e sinalização de "eat-me" mediada por fosfatidilserina, alcançando um aumento de 150% na eficiência de entrega às células endoteliais em feridas diabéticas.
O mesmo estudo também descreveu um hidrogel de ácido hialurônico/álcool polivinílico modificado com ácido 3-aminofenilborônico para o microambiente da ferida diabética, permitindo a liberação sustentada do Mito-AVM encapsulado no local da ferida, desencadeada por espécies reativas de oxigênio e glicose. Experimentos em animais demonstraram que o sistema promoveu significativamente a angiogênese e a deposição de colágeno, acelerando a cicatrização de feridas em camundongos modelo de diabetes, com eficácia marcadamente superior à de qualquer terapia isolada. Os achados foram publicados na Research sob o título "Apoptotic Vesicle Membrane-Mediated Targeted Endothelial Mitochondrial Transplantation-Clearance Therapy for Diabetic Wound Healing."
Um estudo separado identificou circMTRNR2 como um RNA circular mitocondrial que desempenha um papel importante na cicatrização de feridas crônicas. Observou-se que esse RNA estava reduzido em tecidos de pacientes com úlceras de pé diabético de longa duração. Os pesquisadores analisaram amostras de pele de pacientes com feridas que não cicatrizavam, bem como de doadores saudáveis, e também utilizaram um sistema de modelo experimental de ferida tanto em pele humana quanto em camundongos.
Os resultados mostraram que, quando o circMTRNR2 diminuía, a capacidade dos fibroblastos de crescer, migrar e formar novo tecido ficava prejudicada. O estudo afirmou que a molécula aparentemente sustenta a capacidade reparadora da pele ao proteger o metabolismo energético das células contra estresse nocivo, e que, quando o circMTRNR2 está ausente, o estresse celular aumenta e as mitocôndrias são danificadas, o que retarda a cicatrização da ferida. Tanto em modelos de tecido de ferida humana quanto em modelos animais, o processo de cicatrização foi mais lento quando a quantidade de circMTRNR2 foi reduzida e mais rápido quando ela foi aumentada.
Os achados sobre circMTRNR2 foram publicados na Advanced Science como "Mitochondrial CircRNA CircMT‐RNR2 Safeguards Antioxidant Defense to Support Fibroblast Functions in Wound Repair." Ambos os relatos descreveram novos alvos mitocondriais e abordagens de entrega para feridas crônicas diabéticas, ao mesmo tempo em que afirmaram que mais pesquisas são necessárias sobre o uso em tratamentos futuros.