Novos modelos cerebrais, sensores e ferramentas de imagem aceleram o desenvolvimento de medicamentos
Novos modelos 3D de tecido cerebral, imagem a laser e sensores para organoides visam acelerar o desenvolvimento de medicamentos para Alzheimer e outras doenças neurológicas. O modelo da LMU reproduz agregados do Alzheimer, o laser do MIT obtém imagens da barreira hematoencefálica em velocidade recorde, e o sensor da UNC registra atividade neural sem danificar organoides.
TrĂŞs equipes de pesquisa independentes apresentaram novas tecnologias que visam acelerar o estudo de doenças cerebrais e o desenvolvimento de possĂveis tratamentos. Os avanços incluem um modelo tridimensional de tecido cerebral humano que reproduz a patologia do Alzheimer, um mĂ©todo de imagem baseado em laser que visualiza a barreira hematoencefálica em velocidade sem precedentes e um sensor flexĂvel que capta a atividade neural de minĂşsculos organoides cerebrais.
Em estudo publicado na Nature Neuroscience, neurocientistas do Hospital Universitário LMU desenvolveram um modelo tridimensional reproduzĂvel de tecido cerebral humano. O sistema utiliza cĂ©lulas-tronco humanas convertidas em neurĂ´nios, astrĂłcitos e cĂ©lulas da micrĂłglia, que se auto-organizam em esferoides em uma semana. O modelo expressa ativamente genes e proteĂnas relevantes para a doença de Alzheimer, e os pesquisadores conseguiram induzir a formação de agregados de amiloide e dissolvĂŞ-los com novos fármacos. A equipe afirma que o sistema pode ajudar a acelerar o desenvolvimento de medicamentos e está trabalhando em automação robĂłtica para fabricar centenas ou milhares de tecidos-modelo de doenças para testes farmacolĂłgicos em larga escala.
Em paralelo, pesquisadores do MIT relatam na Nature Methods que a luz laser caĂłtica pode formar espontaneamente um “feixe lápis” altamente focado sob condições especĂficas. O feixe permitiu a obtenção de imagens 3D da barreira hematoencefálica humana em velocidades cerca de 25 vezes maiores do que as atuais tĂ©cnicas de referĂŞncia, mantendo qualidade de imagem semelhante. O mĂ©todo tambĂ©m permite a observação em tempo real de como cĂ©lulas individuais absorvem medicamentos. Ele exige apenas uma entrada de laser perfeitamente alinhada e alta potĂŞncia, sem engenharia Ăłptica complexa. O avanço pode ajudar a avaliar se tratamentos para condições como Alzheimer ou ELA realmente atingem seus alvos no cĂ©rebro.
Uma equipe da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill criou um sensor 3D que envolve organoides cerebrais. Diferentemente dos conjuntos planos de eletrodos 2D, o sensor capta sinais neurais em todas as direções sem danificar o organoide ou exigir cola quĂmica. Isso permite o uso repetido e reduz o tempo de preparação de sete dias para 10 a 20 minutos. Os pesquisadores, que depositaram uma patente, preveem o sensor como um produto comercial para triagem de medicamentos mais rápida e medicina personalizada, com possĂveis integrações para optogenĂ©tica e aplicação microfluĂdica de fármacos.